Polícia italiana investiga ataque que lembra Brigadas Vermelhas

A polícia acredita que os atiradores que feriram o chefe de uma empresa de engenharia nuclear na Itália na segunda-feira poderiam ser membros de um grupo marxista-leninista radical ou anarquistas envolvidos em eco-extremismo, disseram fontes de investigação.

REUTERS

08 Maio 2012 | 13h17

O presidente-executivo da Ansaldo Nucleare, Roberto Adinolfi, de 53 anos, foi baleado na panturrilha a curta distância quando saía de sua casa na cidade portuária de Gênova, lembrando o estilo do grupo de esquerda Brigadas Vermelhas, que espalhou violência por toda a Itália nos anos 1970 e 1980.

"O estilo do ataque é claramente uma reminiscência das Brigadas Vermelhas", disse uma fonte de investigação à Reuters nesta terça-feira.

"Se ninguém assumir autoria do ataque até o final de amanhã, isto seria uma anomalia", afirmou uma segunda fonte de investigação.

Os dois homens armados, que abordaram Adinolfi em uma motocicleta roubada, usavam capacetes e não puderam ser identificados. Eles usaram uma pistola russa semi-automática Tokarev, utilizada na Itália por extremistas e criminosos da extrema esquerda, disse uma fonte de investigação.

A mídia local informou que o ataque também poderia estar ligado às relações da Ansaldo Nucleare na Europa Oriental, onde a empresa está vendendo o seu know-how na gestão de resíduos tóxicos após um referendo nacional rejeitar o uso da energia nuclear na Itália pela segunda vez no ano passado.

A Ansaldo Nucleare é uma pequena unidade da Ansaldo Energia, controlada pelo conglomerado italiano de defesa Finmeccanica, o maior grupo industrial da Itália após a Fiat.

O grupo Ansaldo tinha sido alvo das Brigadas Vermelhas em um dos primeiros episódios de violência na década de 1970.

Federico Santolini, que comanda o departamento ortopédico no hospital de Gênova onde Adinolfi passou por uma cirurgia, disse que ele passou uma noite tranquila e logo estaria voltando para casa.

Medidas de austeridade do governo do primeiro-ministro Mario Monti para controlar a dívida pública da Itália aumentaram o ressentimento público, mas os protestos têm sido geralmente pacíficos e não houve sinais reais de violência política organizada.

(Reportagem de Paola Balsomini)

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