Polícia prende 290 estudantes durante protestos na França

Ao menos 261 escolas se juntaram à greve contra aumento da idade mínima da aposentadoria

estadão.com.br,

18 de outubro de 2010 | 19h00

 

PARIS- O Ministério do Interior da França informou nesta segunda-feira, 18, que 290 jovens que se juntaram aos protestos contra a reforma da previdência  no país foram presos. Ao menos 261 escolas aderiram à greve que tomou o país e paralisaram suas atividades nesta segunda, o equivalente a 6% dos institutos de ensino secundário do país.

 

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Os estudantes, que normalmente não se preocupam com a idade mínima para a aposentadoria - aumentada de 60 para 62 anos com a reforma - colocaram fogo em carros e pneus, derrubaram uma cabine telefônica e jogaram os escombros na polícia no subúrbio de Nanterre, nos arredores de Paris, assim como em Lyon. Ao menos cinco policiais ficaram feridos.

 

As paralisações afetam principalmente o setor de combustíveis. Refinarias e depósitos de petróleo foram bloqueados, o que causa a falta de combustível em várias localidades. Mais de 1,5 mil postos de gasolina estão fechados.

 

As manifestações foram planejadas em mais de 200 cidades do país para amanhã, que será o sexto dia de protestos desde o início de setembro. Também espera-se que haja mais paralisações em aeroportos, estações de trem e escolas nesta terça.

 

A população teme que o aumento da idade mínima para a aposentadoria seja apenas um primeiro passo para destruir o Estado de bem-estar social francês, e críticos afirmam que o presidente Nicolás Sarkozy quer adotar um sistema "capitalista americano" e poderia encontrar outra solução para o problema, como exigir contribuições maiores dos empregadores.

 

O governo, por sua vez, afirma que a idade mínima para a aposentadoria estipulada é uma das menores na Europa, e que a expectativa de vida dos franceses aumentou. "Essa reforma é essencial, a França está comprometida com ela, e irá realizá-la", disse Sarkozy hoje.

 

A medida deve ser aprovada com folga no Senado nesta semana, após ter passado na câmara baixa do Parlamento, mas terá um preço para o governo conservador: a reforma impopular aumenta os índices de rejeição de Sarkozy.

 

Uma pesquisa publicada hoje pelo jornal Le Parisien mostra que 71% dos franceses apoia ou simpatiza com os grevistas.

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Com AP

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