Polícia reforça segurança de embaixadas ocidentais na Sérvia

Ministro sérvio diz que ação de manifestantes prejudicou interesses do país; chancelaria dos EUA é incendiada

Agências internacionais,

22 de fevereiro de 2008 | 10h22

A polícia montou guarda na frente da embaixada dos EUA e outras ocidentais danificadas nos distúrbios que começaram na noite de quinta-feira, 21, e se prolongaram pela madrugada desta sexta, deixando pelo menos um morto na capital sérvia.   Veja também: Ouça o relato do enviado Lourival Sant'Anna Kosovo faz o mundo pisar em ovos  Entenda o que está em jogo em Kosovo Mapa: a disputa dos Bálcãs  Veja lista de países que reconhecem a independência do Kosovo    Manifestantes invadiram e incendiaram a embaixada americana na noite de quinta. A vizinha embaixada da Croácia também foi atacada, e um incêndio danificou um prédio residencial ao lado. Os distúrbios - quatro dias depois de a maioria albanesa étnica da província de Kosovo declarar independência da Sérvia, uma iniciativa reconhecida pelos EUA e outras potências ocidentais - foram os piores na capital sérvia desde 2000, quando manifestantes pró-democracia entraram em confronto com forças de segurança do então presidente Slobodan Milosevic, numa revolta que levou à sua derrubada.   O primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, condenou os atos de violência que atingiram Belgrado e afirmou que eles "prejudicam diretamente" os esforços do governo na tentativa de preservar s interesses nacionais. O premiê de Kosovo, Hashim Thaci, disse à Associated Press que a onda de violência na Sérvia é remanescente da era de Slobodan Milosevic, da guerra de 1999 contra Kosovo.   Em Kosovo, autoridades reforçaram a segurança na fronteira com a Sérvia por temor da infiltração de militantes sérvios. Um porta-voz da polícia kosovar disse que autoridades estavam restringindo o tráfego para Kosovo.   A polícia sérvia teve que reprimir na noite de quinta vândalos que saquearam dezenas de lojas depois de uma manifestação organizada pelo governo para protestar contra a declaração de independência de Kosovo, que atraiu cerca de 200 mil pessoas. Na embaixada dos EUA, uma pessoa foi encontrada morta no interior, provavelmente um manifestante, segundo notícias da mídia.   Fontes médicas em Belgrado informaram que 96 pessoas - umas 30 delas policiais - foram tratadas com ferimentos. Mais de 100 foram presas. Nesta manhã, fumaça ainda saía de um restaurante McDonald's destruído no centro da cidade. Muitas das lojas que foram poupadas pelos vândalos tinham pendurado bandeiras da Sérvia e colado faixas onde se lia: "Kosovo é Sérvia".   Segundo a BBC, o ministro do Exterior da Sérvia, Vuk Jeremic, condenou a "violência brutal" de manifestantes que invadiram e incendiaram a Embaixada dos Estados Unidos em Belgrado na quinta-feira.Ele disse que a ação dos manifestantes, motivada pela decisão dos Estados Unidos e de outros países de reconhecer a independência declarada pela província sérvia de Kosovo, prejudicou os interesses do país.   "Estes incidentes são lamentáveis, ferem a imagem da Sérvia em outros países. O sentimento coletivo, o que a maioria está sentindo, é que o povo sérvio e o governo da Sérvia não vão tolerar este tipo de incidente", afirmou.   O governo americano encaminhou um protesto formal à Sérvia. O porta-voz do Departamento de Estado americano, Sean McCormack, disse que a mensagem "foi bem clara, que a situação foi intolerável e que o governo precisar agir imediatamente para prover segurança adequada à nossa Embaixada e nosso pessoal".   Incitar revolta   Políticos pró-ocidentais acusaram nacionalistas do governo do primeiro-ministro Vojislav Kostunica de incitarem a violência para realçar a revolta da Sérvia com a medida unilateral de Kosovo.   O Conselho de Segurança da ONU condenou "nos mais duros termos os ataque da turba contra embaixadas em Belgrado". O embaixador americano na ONU, Zalmay Khalilzad, expressou "ultraje" com o ataque. O chefe de política externa da União Européia, Javier Solana, disse nesta quinta que a violência irá afetar negociações para uma eventual entrada da Sérvia no bloco. As negociações terão de esperar até que a situação "se acalme".   Já o enviado da Rússia na Otan, Dmitry Rogozin, disse que Moscou pode ter de recorrer à "força bruta militar" para ganhar respeito no cenário internacional caso todas as nações da UE reconheçam a independência de Kosovo e a aliança atlântica extrapole sua autoridade em Kosovo.Mas ele adiantou que a Rússia não se envolverá num conflito armado por Kosovo.

Mais conteúdo sobre:
KosovoSérviaindependência

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.