Mikhail Metzel/AP
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Polícia russa busca outros membros da banda Pussy Riot

De acordo com porta-voz, integrantes são procurados em caso criminal diferente do julgado sexta-feira

Reuters

20 de agosto de 2012 | 14h11

MOSCOU - A polícia russa está procurando mais integrantes da banda de punk rock Pussy Riot, disse um porta-voz, sinalizando uma pressão adicional sobre o grupo, apesar de um clamor internacional sobre as penas de prisão para as três integrantes que protestaram em uma igreja contra Vladimir Putin.

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Críticos do presidente russo condenaram o processo judicial que produziu as sentenças de dois anos de prisão como parte de repressão a um movimento de protesto e uma reminiscência de julgamentos de dissidentes da era soviética.

A polícia disse nesta segunda-feira, 20, que estava procurando por outros membros do grupo devido ao protesto em fevereiro na Catedral do Cristo Salvador, em Moscou, mas ainda não identificou as suspeitas. Não foi informado quantas pessoas são procuradas, nem se elas enfrentariam prisão e acusações ou se seriam apenas interrogadas.

Embora a busca tenha sido iniciada antes do veredito da última sexta-feira, a determinação da polícia para perseguir outros membros da Pussy Riot sugeriu que o Kremlin manteria a pressão sobre a banda, apesar do furor com a punição imposta às três jovens. "As operações de busca necessárias estão sendo realizadas", disse um representante da polícia de Moscou à agência de notícias Interfax.

Uma porta-voz da polícia no distrito central de Moscou confirmou por telefone que os outros membros não identificados estavam sendo procurados em um caso criminal separado do processo contra as três artistas que foram julgadas.

Nadezhda Tolokonnikova, 22, Maria Alyokhina, 24, e Yekaterina Samutsevich, 30, foram condenadas por vandalismo motivado por ódio religioso pela performance de uma "oração do punk", exortando a Virgem Maria a livrar a Rússia de Putin.

Em uma entrevista na semana passada, outros membros da banda, com seus rostos escondidos atrás de máscaras de esqui coloridas como aquelas usadas durante a "oração punk", disseram que o julgamento tinha apenas fortalecido sua determinação.

Os Estados Unidos, a União Europeia e vários países têm chamado as sentenças de desproporcionais, e os EUA pediram que as autoridades russas "revejam" o caso.

Tolokonnikova, Alyokhina e Samutsevich disseram que tinham procurado protestar contra os laços estreitos de Putin com a Igreja Ortodoxa Russa e não tinham a intenção de ofender os fiéis.

O próprio Putin, um ex-espião da KGB que voltou à Presidência para um terceiro mandato em 7 de maio, após um período de quatro anos como primeiro-ministro, disse antes de as sentenças serem pronunciadas que as mulheres não fizeram "nada de bom", mas não deveriam ser julgadas duramente.

Elas já estão presas há cerca de cinco meses, o que significa que vão servir outros 19, e poderiam ser liberadas se Putin as perdoasse. A Igreja Ortodoxa deu a entender que não se oporia a tal movimento ao apelar, tardiamente, por misericórdia.

Madonna, no sábado, juntou-se a um coro de celebridades ao criticar as penas de prisão impostas às três mulheres. Ela disse que elas estavam sendo enviadas para uma "colônia penal por... uma performance de 40 segundos exaltando suas opiniões políticas".

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