Polícia turca usa gás lacrimogêneo contra curdos

A polícia turca usou jatos de água, gás lacrimogêneo e cassetetes para reprimir manifestações curdas em todo o país no domingo, um sinal da crescente tensão antes do Ano Novo Curdo na próxima semana.

REUTERS

18 de março de 2012 | 12h23

Militantes armados do partido pró-curdos da Turquia e do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) pediram grandes manifestações para o Newroz, o Ano Novo Curdo, que se inicia no dia 21 de março, acreditando que o governo, que tem dado forte apoio às revoltas árabes, pode estar vulnerável à pressão dos protestos de rua.

Tanto o Partido da Paz e Democracia (BDP), legalizado, e o PKK exigem autonomia para sudeste do país predominantemente curdo.

O governo conservador do primeiro-ministro Tayyip Erdogan tomou medidas para aumentar a direitos culturais dos curdos do país - cerca de 20 por cento da população -, mas afirma que esses são direitos individuais e que é completamente contra qualquer assentamento separatista para os curdos.

O maior protesto ocorreu em Diyarbakir, a principal cidade do sudeste. Milhares de pessoas se reuniram em uma marcha do lado de fora da cidade para comemorar o Newroz.

Centenas de policiais apoiados por carros blindados e helicópteros, se posicionaram em pontos estratégicos da cidade desde cedo. Eles tentaram impedir grandes multidões e bloquear o caminho para o encontro dos manifestantes.

Autoridades turcas proibiram as celebrações do Newroz até 21 de março.

Os confrontos eclodiram em toda a cidade entre os jovens que arremessavam pedras e a polícia que usou gás lacrimogêneo e canhões de água, além de prender dezenas, segundo testemunhas.

Mesmo assim, ao menos 20.000 pessoas se reuniram na área fora da cidade, agitando bandeiras curdas e segurando retratos do líder do PKK preso Abdullah Ocalan.

"Vida longa a Ocalan" e "o PKK é o povo, as pessoas estão aqui", gritava a multidão.

A polícia em Istambul, maior cidade da Turquia com uma grande população curda, também agiu para acabar com a celebração do lado de fora das muralhas da antiga cidade. Houve confrontos quando a polícia impediu o encontro de dois grupos com mais de 1.000 pessoas cada de se unir, segundo a mídia turca.

Promotores turcos prenderam milhares de pessoas em todo o país neste ano acusados de pertencer ao PKK, que a Turquia, os Estados Unidos e a União Européia consideram uma organização terrorista. Mais de 40.000 militantes, soldados e civis foram mortos nos combates desde que o PKK pegou em armas em 1984.

(Reportagem de Jon Hemming)

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