Policiais que mataram Jean Charles devem voltar ao trabalho

Autorização foi dada pela Scotland Yard, diz 'Guardian'; sem absolvição, inquérito foi considerado 'inconclusivo'

Agências internacionais,

13 de dezembro de 2008 | 12h33

Os policiais que mataram o brasileiro Jean Charles de Menezes terão a permissão da Scotland Yard para retornar ao trabalho, informou neste sábado, 13, o jornal britânico The Guardian. Na sexta, o júri considerou o inquérito "inconclusivo" e rejeitou a afirmação de que o comportamento de Jean Charles havia levantado suspeitas, como defendia os oficiais que mataram o brasileiro no metrô de Londres em 22 de julho de 2005.   Veja também: Família de Jean Charles alega manipulação de processo Entenda o veredicto de inquérito sobre o caso Jean Charles Os erros que levaram à morte de Jean Charles Cronologia do caso Jean Charles   A decisão foi considerada um duro golpe para a polícia metropolitana, que vinha tentando provar que a ação que resultou na morte do brasileiro tinha como objetivo proteger a população de um ataque suicida. Os jurados deveriam responder com "sim" ou "não" a afirmações específicas sobre uma série de eventos ocorridos naquele dia, para decidir se eles contribuíram ou não para a morte do brasileiro.   A maioria do júri disse duvidar que o policial conhecido como C12 tivesse gritado "polícia armada" para advertir Jean Charles antes de abrir fogo. As causas da morte de Jean Charles, segundo o júri, incluem uma série de erros - como falhas na comunicação; a não entrega de fotos mais nítidas do suspeito de terrorismo procurado pela polícia; e o fato de os policiais não terem parado o brasileiro antes de ele entrar na estação de metrô Stockwell. O eletricista foi morto com sete tiros ao ser confundido com o terrorista Hussein Osman.   O inquérito encerrado na sexta não é considerado um julgamento e é apenas convocado pela lei britânica para esclarecer os fatos quando alguém morre violentamente ou por causas desconhecidas. A família de Jean Charles comemorou a decisão e afirmou que pretende pedir a reabertura da investigação sobre a morte do eletricista (mais informações na página ao lado).   O assassinato do brasileiro danificou severamente a reputação da Scotland Yard e pode ter interferido no recente pedido de demissão feito pelo ex-comissário Ian Blair, altamente criticado pela maneira com que lidou com o caso na época.   Reação   O prefeito de Londres na época em que Jean Charles foi morto, Ken Livingston, defendeu os policiais que estavam no comando das operações. As declarações de Livingston foram feitas em entrevista à BBC neste sábado, um dia depois de um júri ter dado um veredicto inconclusivo para o caso do eletricista brasileiro, morto pela polícia após ser confundido com um homem-bomba.   Segundo o ex-prefeito, Cressida Dick, que estava no comando da operação, é uma das "mais talentosas" policiais com quem ele já trabalhou, e teria o "potencial" de se tornar a futura comissária da Polícia Metropolitana de Londres. "A verdade é que eu não sei muito mais hoje do que 48 horas após o evento, uma trágica série de erros. Ninguém pensou que havia uma mente maligna atrás de tudo", disse Livingston.   Apesar de reconhecer que a polícia merece críticas, ele argumentou que os policiais nem sempre têm condições de interrogar um suspeito de ser um potencial extremista. "Eu estava próximo daquela operação. As pressões sob as quais as pessoas estavam operando eram inacreditáveis."   "Havia quatro homens foragidos que tentaram cometer atentados suicidas. Nós sabíamos que tínhamos no máximo alguns dias para capturá-los antes que tentassem de novo com sucesso. E, sob essas pressões, erros vão acontecer", conclui o ex-prefeito.  

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