Policial admite que Jean Charles levava apenas celular e jornal

Em depoimento, oficial afirma que não era possível descartar que brasileiro quisesse detonar bomba no metrô

Efe,

23 de outubro de 2008 | 10h02

O brasileiro Jean Charles de Menezes foi visto apenas com um telefone celular e um jornal no dia em que foi morto a tiros por policiais que o confundiram com um terrorista, admitiu nesta quinta-feira, 23, um agente que participou da operação em 22 de julho de 2005. Ao prestar depoimento na investigação pública sobre a morte de Jean Charles, o agente - identificado sob o pseudônimo de "Ivor" - insistiu, no entanto, que não era possível descartar que o jovem fosse um terrorista suicida. "Ivor" fez parte da equipe de vigilância que seguiu Jean Charles até o interior da estação de metrô de Stockwell, no sul de Londres, onde o jovem eletricista morreu. Em seu depoimento, o policial disse que não podia descartar que o brasileiro fosse um terrorista com intenção de detonar uma bomba no metrô, mas, "efetivamente, tudo o que eu vi que tinha abertamente era um telefone celular e um jornal". Cerca de 100 pessoas, entre elas 65 policiais, foram convocados a prestar declaração nesta investigação, que começou em setembro e deve durar cerca de três meses. A polícia fez sete disparos contra Jean Charles ao confundi-lo com Hussain Osman, um dos terroristas dos atentados fracassados de 21 de julho de 2005 contra a rede de transporte de Londres. O brasileiro morava no mesmo bloco de apartamentos que Osman, no bairro de Tulse Hill (sul de Londres). A morte de Jean Charles aconteceu um dia depois dos ataques de 21 de julho de 2005, nos quais nenhuma pessoa ficou ferida, porque só os detonadores explodiram, e não as bombas, e que pretendiam ser uma imitação dos atentados de 7 de julho de 2005 em Londres. No ano passado, a Polícia Metropolitana de Londres (MET) foi considerada culpada de violar as partes 3 e 33 da Lei de Saúde e Segurança no Trabalho de 1974, que obriga as forças da ordem a garantir a segurança tanto dos agentes quanto de outras pessoas.

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