Político Basco diz que ETA pode tornar trégua permanente

O grupo separatista basco ETA pode avançar para um cessar-fogo permanente, depois que o governo espanhol rejeitou uma declaração de trégua na semana passada, dizendo que ela era insuficiente, afirmou um político envolvido em negociações anteriores com o grupo.

NIGEL DAVIES, REUTERS

12 de setembro de 2010 | 17h34

Perguntado sobre as perspectivas do anúncio de um cessar-fogo permanente, o líder do Partido Socialista Basco, Jesus Eguiguren Imaz, disse ao jornal El País: "Isso é o previsto, mas pode ser que venha de alguém que esteja ratificando a trégua e não do ETA."

O ETA disse no dia 5 de setembro que havia decidido pelo fim dos ataques armados, mas o governo rejeitou a declaração, que não incluía uma promessa de desarmamento.

O ETA, que já matou mais de 850 pessoas desde que começou a sua campanha por um estado Basco independente no norte da Espanha e no sudoeste da França, em 1968, já rompeu tréguas no passado.

O grupo está sendo pressionado pelo seu braço político banido, Batasuna, para baixar armas para que ele possa ingressar na legalidade política. Para que isso aconteça, o governo diz que o Batasuna precisa condenar a violência e o ETA.

Eguiguren disse que depois de conversar durante o verão, com Brian Currin, um mediador sul-africano que trabalhou com o Batasuna, ele acredita que o processo de baixar as armas pode acontecer em duas fases.

"A primeira seria a trégua, e a segunda a sua comprovação feita por enviados internacionais. O que ele (Currin) falou, é que o Batasuna disse que o ETA tem que acabar (com a violência) e, no último ano, as votações têm sido de 90/10 a favor disso."

Eguiguren disse que o ETA teria que aceitar a pressão do Batasuna de baixar as armas porque ele não poderia sobreviver sem algum tipo de apoio social. O Batasuna espera poder participar das eleições locais do ano que vem.

No sábado, cerca de 400 pessoas protestaram na cidade basca de Bilbao, a favor da liberdade de expressão e da independência Basca, depois de uma decisão do governo de manter a proibição em relação ao Batasuna.

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