Políticos franceses discutem antes da chegada de Betancourt

A franco-colombiana Ingrid Betancourtreceberá um tratamento especial ao desembarcar em Paris, aindana sexta-feira, mas um conflito político interno a respeito daaudaciosa operação de resgate que a libertou ameaça contaminaro clima amistoso. O presidente Nicolas Sarkozy e a mulher dele, Carla Bruni,devem estar presentes no aeroporto quando Betancourt, resgatadana quarta-feira depois de ficar seis anos sob o poder de umaguerrilha colombiana, chegar com sua família a bordo de um vôoespecial vindo de Bogotá. Desde que tomou posse, no ano passado, Sarkozy desempenhouum papel de destaque nos esforços para garantir a libertação daex-refém, incentivando a realização de negociações com aguerrilha e conclamando as autoridades colombianas a evitarqualquer ação militar arriscada. O governo francês, em consequência disso, não foi informadoa respeito da missão de resgate realizada pelos militarescolombianos, ao contrário do que ocorreu com os EUA. E Sarkozysó ficou sabendo da libertação de Betancourt depois de ela tersido tirada da área de mata onde era mantida. A adversária de Sarkozy no pleito presidencial de 2007, asocialista Ségolène Royal, aproveitou-se desse fato eaconselhou seu antigo oponente a não tentar beneficiar-sepoliticamente da situação. "Todos sabemos que essa bem executada operação colombianaprova que as negociações com as Farc (a guerrilha ForçasArmadas Revolucionárias da Colômbia) foram inúteis einfrutíferas", afirmou Royal a uma rádio, durante uma visita aoCanadá. "Qualquer controvérsia ou ganho político seria algototalmente incabível porque Nicolas Sarkozy não teve nenhumaparticipação na libertação (de Betancourt)", acrescentou. O tom incisivo das declarações dela manchou o clima de boavontade política instalado com a soltura da franco-colombiana,que morou na França quando jovem e que possui nacionalidadefrancesa devido a um casamento hoje desfeito. "Não foi elegante da parte de Ségolène Royal dizer umacoisa dessas", afirmou Jérôme Chartier, parlamentar e membro dopartido UMP (de Sarkozy). A ministra francesa dos Direitos Humanos, Rama Yade, disse:"Ségolène Royal imagina-se o tempo todo fazendo campanha. Opovo francês não se deixará enganar pelas manobras políticasdela." A França abraçou a causa de Betancourt com afinco,tratando-a entusiasticamente como uma cidadã do país ao longodos seis anos de cativeiro da refém, período durante o qualforam realizadas inúmeras passeatas e manifestações em nomedela. O governo francês enviou um avião oficial para Bogotá horasdepois da libertação dela, levando até a Colômbia membros dafamília de Betancourt que moram em Paris bem como o ministrodas Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner. Kouchner disse à rádio RTL, na sexta-feira, que a solturadela representava um claro sucesso pessoal para o presidentecolombiano, Álvaro Uribe, que sempre rechaçou realizarconcessões às Farc e descartou a possibilidade de manternegociações com a guerrilha. "Nem sempre ele concordou com as iniciativas da França",afirmou o chanceler. "Isso representa uma vitória para ele(Uribe), sem dúvida. Mas não significa uma derrota para osdemais", acrescentou, recusando-se a fazer comentários sobre apolêmica com Royal. "Frequentemente, na função de chanceler, nós nos deparamoscom experiências desagradáveis. Bem, desta vez, a experiência épositiva e eu vou aproveitar este momento." (Reportagem adicional de Laure Bretton)

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