Polônia permitirá que Rússia inspecione escudo antimísseis

Em artigo, chanceler polonês reafirma que sistema de defesa americano não é direcionado contra Moscou

Agências internacionais,

16 de agosto de 2008 | 14h18

O governo da Polônia manteve sua oferta à Rússia de permitir inspeções no escudo antimísseis que os Estados Unidos instalarão em seu território. Em artigo do jornal polonês Fakt, o ministro de Relações Exteriores Radoslaw Sikorski ressaltou que o sistema de defesa americano não é direcionado contra a Rússia.   Durante as negociações com os EUA sobre o sistema antimísseis, o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, ofereceu várias vezes a Moscou a possibilidade de inspecionar a base no país, para garantir que o objetivo do instrumento é poder dar uma resposta aos países do chamado "Eixo do Mal", particularmente o Irã, e não provocar a Rússia, como diz o Kremlin.   Após 18 meses de debate, Varsóvia e Washington assinaram na quinta-feira o acordo que prevê a instalação de dez mísseis americanos na Polônia. O sistema prevê ainda a instalação de um radar na República Checa. O governo checo aceitou a proposta e assinou o acordo em julho. A Casa Branca diz que o armamento é defensivo e visa a destruir eventuais mísseis disparados pelo Irã.   Moscou duvida das boas intenções dos EUA e diz que o Irã é um pretexto para os americanos instalarem mísseis perto de sua fronteira, o que seria considerado uma "ameaça à segurança nacional da Rússia". O presidente russo, Dmitri Medvedev, disse na sexta que o acordo é voltado contra seu país. "A instalação de novas forças antimísseis tem como alvo a Federação Russa", afirmou Medvedev, que não aceita a justificativa americana de deter ataques iranianos. "A afirmação de que o sistema antimíssil na Polônia serve para a defesa de ataques de mísseis de países párias é um conto de fadas."   Em outubro, o então presidente Vladimir Putin chegou a dizer que o escudo americano poderia causar uma situação semelhante à Crise dos Mísseis de Cuba, que quase levou EUA e União Soviética à guerra em 1962.   Os termos do acordo vinham sendo discutidos desde 2005, mas foram aprovados agora, segundo Varsóvia, porque os EUA se comprometeram a modernizar o Exército polonês e a instalar novas baterias antiaéreas Patriot no país. O governo russo, porém, diz que o acordo é a primeira conseqüência direta da crise no Cáucaso e afirma que o momento escolhido apenas confirma a tese de que o escudo antimíssil tem a Rússia como alvo.

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