População encerra bloqueio de futuro lixão em Nápoles

Justiça italiana decreta prisão domiciliar de 25 pessoas por supostas irregularidades na gestão da crise sanitária

Associated Press e Ansa,

27 de maio de 2008 | 12h17

Moradores de um bairro de Nápoles encerraram nesta terça-feira, 27, dias de protestos contra a crise do lixo na cidade e permitiram a entrada das autoridades no local destinado a um novo lixão, informou a mídia italiana. As barricadas impostas pelos moradores do bairro napolitano de Chiaiano começaram a ser removidas e autoridades ambientais já inspecionavam o local.   Antonio Sbordone, um oficial da polícia de Nápoles, afirmou que "o bom senso prevaleceu". Ele advertiu, no entanto, que novos protestos podem ocorrer se a inspeção ambiental confirmar que o local é adequado para abrigar um lixão. O local em disputa é uma das dez áreas selecionadas pelo primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, para receber parte das toneladas de lixo amontoadas pelas ruas de Nápoles e de cidades próximas depois de semanas sem coleta. Moradores da cidade protestaram contra a medida e entraram em choque com a polícia nos últimos dias.   A justiça italiana decretou nesta terça-feira a prisão domiciliar de 26 pessoas, todas funcionárias do Comissariado para o Lixo, enquanto o prefetto (representante do governo federal) de Nápoles, Alessandro Pansa, é alvo de uma investigação por supostas irregularidades na gestão da crise que afeta a região da Campania, sul da Itália. Os acusados são investigados por tráfico ilícito de lixo, falsidade ideológica e roubo de dinheiro público.   "Estou convencido de que o desenvolvimento da investigação irá demonstrar que meu comportamento foi correto", disse Pansa à Ansa a respeito do mandado judicial. O representante do governo em Nápoles, que se disse "totalmente sereno", afirmou que a investigação diz respeito a uma medida tomada por ele no dia 18 de dezembro de 2007, no entanto, não deu mais detalhes.   Segundo informações, Pansa é investigado por ter assinado uma ata que prescrevia que a empresa Fibe - vinculada à empresa Impregilo, há tempos responsável pelo lixo da Campania - deveria continuar após o fim de seu mandato como comissário. A ata, de fato, foi assinada no dia 18 de dezembro enquanto seu mandato vencia alguns dias depois, no dia 31 de dezembro de 2007.

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