Alessandro Garofalo/Reuters
Alessandro Garofalo/Reuters

Popularidade de Berlusconi é a menor desde o começo do mandato

Em meio a crise e escândalos sexuais, aprovação ao ao premiê cai a 35%, diz pesquisa

SILVIA ALOISI, REUTERS

17 de novembro de 2010 | 20h20

O índice de aprovação popular ao primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, caiu ainda mais, atingindo o nível mais baixo já registrado, segundo uma pesquisa divulgada na quarta-feira, num momento em que ele se prepara para se submeter a um voto de confiança no Parlamento, o que pode levar à antecipação de eleições.

A pesquisa do instituto IPR divulgada no site do jornal La Repubblica mostra que a aprovação a Berlusconi é de 35%, dois pontos percentuais a menos do que há um mês, e dez pontos abaixo do registrado um ano atrás. É a menor taxa de aprovação ao premiê conservador desde sua eleição, em 2008.

A má situação econômica da Itália, disputas dentro da sua coalizão e uma série de escândalos morais e de corrupção enfraquecem Berlusconi, que pode se ver obrigado a renunciar se perder a votação prevista para 14 de dezembro.

Na quarta-feira, ele se disse otimista com uma vitória, mas a maioria dos analistas prevê que ele será derrotado pelo menos na Câmara, onde não tem mais maioria depois de romper com a ala liderada por Gianfranco Fini.

Se o governo cair, o presidente Giorgio Napolitano pode nomear um gabinete provisório até as novas eleições, como foi o caso em 1994, quando o primeiro governo de Berlusconi caiu e ele foi substituído provisoriamente pelo ministro das Finanças, Lamberto Dini.

 

Eleições antecipadas

Mas o próprio Berlusconi já declarou que o único caminho viável seria uma eleição antecipada, dois anos antes do final do seu mandato, que vai até 2013.

"Se ganharmos o voto de confiança continuaremos trabalhando, do contrário vamos às urnas," disse ele na quarta-feira.

Ignazio La Russa, ministro da Defesa leal a Berlusconi, disse que a eleição antecipada poderia ocorrer já ao final de março, caso o governo saia derrotado no Parlamento.

Mas Fini e líderes da oposição de centro e esquerda não querem assumir o desgaste de serem responsáveis por eleições antecipadas e torcem para que Napolitano forme um gabinete de "responsabilidade nacional."

Na quarta-feira, o presidente disse que os políticos deveriam agir com responsabilidade neste momento de turbulências nos mercados financeiros europeus.

Na pesquisa do IPR, o partido Povo da Liberdade, de Berlusconi, aparece como líder de intenções de voto, com 28,5% das preferências --bem abaixo da sua votação esmagadora de 2008. O Partido Democrático, de centro-esquerda, permanece com 26% .

Aparentemente, o partido que mais teria a ganhar com eleições antecipadas seria o Liga Norte, único aliado do PDL no governo. O grupo aparece com 12,5% das intenções de voto.

O partido Futuro e Liberdade para a Itália, fundado por Fini após o rompimento com Berlusconi, aparece com 5,5%.

A maioria das pesquisas sugere que Berlusconi provavelmente venceria uma eleição antecipada, mas possivelmente sem maioria no Senado, o que tornaria o governo inviável.

(Reportagem adicional de Alberto Sisto e Deepa Babington)

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