Por saída diplomática, Sarkozy visita hoje Rússia e Geórgia

Presidente defende o fim do confronto entre os países; França propõe retirada das tropas da Ossétia do Sul

Reuters

12 de agosto de 2008 | 02h50

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, visita nesta terça-feira, 12, a Rússia e a Geórgia para tentar um acordo diplomático que ponha fim às hostilidades entre a ex-república soviética e Moscou, em um confronto militar que começou na última sexta-feira. Sarkozy deve chegar à capital russa às 5h10 de hoje (horário de Brasília. Ele tem um encontro marcado com o presidente Dmitry Medvedev. No mesmo dia, o líder francês embarca para a Geórgia. Veja também Russos avançam; Geórgia recua tropas para defender capital Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Roberto Godoy e Cristiano Dias comentam o conflito Imagens feitas direto da capital da Geórgia  O chefe de Estado francês, que este semestre ocupa também a Presidência da União Européia, interrompeu suas férias na região de Var e partiu do aeroporto de Toulon, no litoral mediterrâneo, às 7h38 no horário local (2h38 de Brasília). O avião presidencial deve aterrissar na capital russa às 13h no horário local (6h de Brasília). Segundo o programa, Sarkozy se reunirá com seu colega russo às 13h40 (6h40 de Brasília); dará uma entrevista coletiva às 14h40 (7h40 de Brasília) e participará de um almoço de trabalho com Medvedev às 15h30 (8h30 de Brasília).    Na sequência, segundo fontes do Palácio do Eliseu, Sarkozy viajará à capital georgiana, aonde chegará por volta das 19h20 no horário local. Em Tbilisi, participará de um jantar de trabalho com o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, após o qual concederá outra entrevista coletiva, por volta das 20h30 no horário local.    Antes de viajar para Moscou, o presidente francês conversou com achanceler alemã, Angela Merkel, e com o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi.O objetivo da viagem é obter a anuência de Moscou a um plano que permita o fim imediato das hostilidades entre Rússia e Geórgia por causa do território separatista da Ossétia do Sul.O ministro de Exteriores francês, Bernard Kouchner, já obteve ontem, em Tbilisi, o apoio escrito do presidente georgiano ao plano de paz proposto por Paris. Moscou, no entanto, reagiu negativamente, pois considera que não foi consultada para a redação do documento.Mais cedo, na ONU, a França apresentou um  projeto de resolução que pede a "retirada completa" das forças russas e georgianas do território da Ossétia do Sul, e o retorno para suas posições anteriores a 7 de agosto, quando se iniciou o conflito.   A minuta pede o fim "imediato e incondicional das hostilidades" e enfatiza a necessidade urgente de que todas as partes se abstenham de seguir utilizando a força.   O embaixador adjunto francês perante a ONU, Jean-Pierre Lacroix, anunciou a apresentação do documento na reunião de emergência realizada nesta segunda-feira pelo Conselho de Segurança, a quinta do órgão desde a sexta-feira passada.   O pedido de retirada das tropas prevê que as forças russas que se encontram em território georgiano desde a sexta-feira passada retornem a seu país, possibilidade a qual Moscou se opõe.   Por sua parte, Tbilisi manifestou seu acordo com o conteúdo da resolução, que também "reafirma o compromisso dos Estados-membros (da ONU) com a soberania, a independência e a integridade territorial da Geórgia dentro de suas fronteiras internacionalmente reconhecidas".A Rússia invadiu a Geórgia na última sexta-feira para defender a província separatista da Ossétia do Sul. Enquanto o governo georgiano é o aliado mais importante dos EUA na região do Cáucaso, 60% da população da província rebelde é composta por russos e a região é apoiada por Moscou. A Geórgia é um país importante na rota de petróleo e gás do Mar Cáspio para a Europa. Um oleoduto que passa pelo país abastece vários países da Europa.  Tanto a Ossétia quanto a também separatista Abkházia são consideradas pela comunidade internacional como partes da Geórgia, apesar de sua separação de fato desde os anos 90.

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