Portugal acusa Reino Unido de beneficiar pais de Madeleine

Polícia portuguesa diz que Londres investiga fatos criados pelo casal e ignora que ambos são suspeitos no caso

Efe e Associated Press,

02 de outubro de 2007 | 09h54

A Polícia Judiciária portuguesa criticou duramente o desempenho de autoridades britânicas nas investigações do caso Madeleine. Segundo a edição desta terça-feira, 2, do jornal português Diário de Notícias, o coordenador da investigação sobre o caso, Gonçalo Amaral, afirmou que o Reino Unido trabalha apenas para o que convém ao casal McCann, ignorando que os dois são suspeitos do desaparecimento da filha.   Veja também:  Falhas no caso Madeleine Cronologia    Segundo o investigador português, as hipóteses que surgiram para o suposto rapto de Madeleine McCann são todas criadas pelos pais da menina para tirar a credibilidade da polícia de Portugal. Amaral rebateu a suposição divulgada pela imprensa na segunda-feira de que a britânica de quatro anos teria sido raptada por uma ex-empregada do hotel em que a família estava hospedada para vingar-se da administração do resort, após ter sido demitida.   A polícia inglesa "investiga dicas e informações criadas e trabalhadas pelos McCann, esquecendo-se de que o casal é suspeito pela morte da sua filha Madeleine". "Essa história de rapto por vingança é mais um fato criado pelo casal". Amaral ressaltou ainda que o hotel está situado na Praia da Luz, em Portugal, o que significa que tudo o que diz respeito ao local e seus funcionários  já foi ou está sendo investigado por autoridades portuguesas. "Não é um e-mail, ainda por cima anônimo e que é fácil rastrear da onde partiu, que vai distrair a nossa linha de investigação", alertou. Para o investigador, os McCann criaram uma campanha para acabar com a credibilidade da polícia portuguesa quando foi apresentada a tese da morte da menina. Segundo ele, a postura do casal em relação às autoridades do país mudou totalmente quando a tese de morte começou a ser trabalhada. "Eles nunca ajudaram nem facilitaram, desde o princípio, a investigação".   Troca de farpas O advogado Carlos Pinto de Abreu, que defende os interesses de Gerry e Kate McCann, pais da menina britânica Madeleine, disse nesta terça que as críticas mútuas entre as polícias portuguesa e britânica "prejudicam as investigações".   Segundo Abreu, as polícias portuguesa e britânica trabalham de "costas", cada uma para seu lado, e assim não será possível avançar para esclarecer as circunstâncias do desaparecimento de Madeleine em maio passado, acrescentou. O advogado também criticou a falta de coordenação entre a Polícia Judiciária, a Guarda Nacional Republicana e a Polícia de Segurança Pública, todas entidades portuguesas. "É ruim que exista todo este ambiente, as polícias têm que trabalhar de forma conjunta dentro de Portugal e em coordenação com seus colegas de outros países", disse o advogado. Os investigadores portugueses suspeitam que Kate e Gerry McCann podem estar envolvidos na morte acidental de Madeleine, porque cães especialmente treinados pela Polícia britânica detectaram cheiro de cadáver no automóvel, no apartamento e em objetos pessoais relacionados ao casal. No entanto, os pais - segundo declarações pessoais ou de seus porta-vozes - consideram as acusações um despropósito e afirmam que a filha foi seqüestrada, e que a polícia não deveria desistir de encontrá-la viva.

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