Richard Drew/Efe
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Possível volta de Strauss-Kahn é recebida com silêncio na França

Jornais ressaltam 'macha' na carreira de ex-diretor do FMI e aliados dão declarações cautelosas

CATHERINE BREMER, REUTERS

24 de agosto de 2011 | 11h27

PARIS - Exonerado das acusações de agressão sexual, Dominique Strauss-Kahn pode voltar à França dentro de poucos dias, mas pode não ter uma recepção de herói, se depender dos editoriais de jornais e das cautelosas declarações de seus aliados socialistas.

Os jornais deram atenção na quarta-feira, 24, à mancha em sua imagem pela relação com uma empregada de um hotel nova-iorquino e à relutância de seus aliados políticos em especular sobre os planos dele.

Strauss-Kahn pode estar em casa já no começo da próxima semana, depois de arranjar seus negócios em Washington, onde ele estava baseado como diretor do Fundo Monetário Internacional até sua prisão, em meados de maio, por tentativa de estupro. A acusação foi retirada na terça-feira.

Seu advogado na França, Henri Leclerc, disse que ignorava uma data para a volta de Strauss-Kahn.

Em vez de celebrar a exoneração de um homem que antes da prisão era visto como o próximo presidente da França, editoriais de jornais foram sóbrios e reflexivos.

"Longe de ser inocentado, DSK agora terá que conviver com a suspeita da opinião pública, em vez de outro tipo de sentença", escreveu Yves Threard no jornal Le Figaro.

O Partido Socialista, que com a queda de DSK perdeu seu principal pensador econômico, celebrou a retirada das acusações, mas não deu indícios de que papel ele poderia desempenhar no futuro, preferindo falar sobre os preparativos para seu congresso anual neste final de semana na cidade de La Rochelle.

Segoléne Royal, uma das pré-candidatas socialistas à Presidência, tentou mudar o assunto quando foi pressionada a falar sobre Strauss-Kahn na BFM TV: "não quero falar sobre isso. Não discutirei suas atividades futuras", disse.

A líder de extrema direita Marine Le Pen, que segundo as pesquisas pode obter cerca de 13 por cento dos votos no primeiro turno da eleição, em abril, disse que a retirada de todas as acusações de agressão sexual deixou um gosto "amargo" em sua boca.

A decisão de arquivar o caso contra o ex-ministro das Finanças francês pôs fim a uma saga de três meses que estampou manchetes nos jornais de todo o mundo com detalhes sórdidos sobre sua relação de nove minutos com a arrumadeira Nafissatou Diallo, que, segundo seus advogados foi consensual.

Analistas políticos dizem que Strauss-Kahn pode nunca recuperar completamente o respeito dos franceses e poderia lutar para ser aceito em um cargo público por causa da mancha à sua imagem com o caso e pelo que foi revelado sobre sua vida privada.

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