Poucos aderem a protestos contra reformas na França

Dezenas de milhares de trabalhadoresfranceses fizeram manifestações nesta terça-feira contra osplanos do governo de reformar o sistema de aposentadoria e asemana de trabalho de 35 horas, mas o maior sindicato do paísadmitiu que a adesão foi menor do que esperado. A relativamente baixa participação, pelos padrõesfranceses, poderá encorajar o presidente do país, NicolasSarkozy, a levar suas reformas adiante, apesar dos vários mesesde protestos contra uma série de aspectos das mudanças. "Estou aqui para fazer Sarkozy desmoronar", disse AlexBoulet, um trabalhador do sistema ferroviário que agitava umabandeira sindical em Paris, onde a polícia informou que osprotestos reuniram 18 mil pessoas. As estimativas dossindicatos não foram divulgadas. As centrais sindicais CGT e CFDT convocaram protestos emmais de 120 cidades e vilas contra os planos do governo deampliar de 40 para 41 anos o período de trabalho para requerera aposentadoria e de conceder às empresas mais brechas paracontornar a semana de 35 horas. A CGT havia estabelecido como meta reunir em todo o paísmais de 1 milhão de pessoas nas manifestações, mas estimou em500 mil o número dos que compareceram. O líder da CGT, Bernard Thibault, prometeu retomar a lutaquando os trabalhadores retornarem descansados das férias deverão. "Vamos lançar rapidamente novas iniciativas para mantera pressão sobre os parlamentares (para votarem contra asreformas) e certamente nos organizaremos para um setembroquente", disse ele. Os sindicatos também fizeram convocações para uma greve,mas somente 2,8 por cento dos trabalhadores do setor públicoatenderam ao chamado, segundo o governo. A baixa participação talvez tenha sido resultado de cansaçodepois de meses de greves de professores contra corte deempregos, trabalhadores do setor portuário contra reformas,pescadores e caminhoneiros contra o aumento dos preços doscombustíveis e outros protestos. As pesquisas de opinião indicam que o interesse pelasgreves pode estar diminuindo porque há pouca esperança deconseguir forçar o governo de centro-direita a mudar deposição. O ministro do Bem-Estar Social, Xavier Bertrand, deveapresentar um projeto ao gabinete de governo na quarta-feirapropondo a reforma da semana de 35 dias, introduzida dez anosatrás quando os socialistas estavam no poder. "As 35 horas são um breque para a nossa economia, as 35horas têm impedido o aumento dos salários dos trabalhadoresfranceses", disse Bertrand a parlamentares nesta terça-feira. (Reportagem adicional de Jean-Francois Rosnoblet emMarseille, Gerard Bon e Veronique Tison em Paris)

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