Jon Nazca/Reuters
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PP tem vitória histórica no sul da Espanha mas não forma maioria

Partido conservador conquistou 50 das 109 cadeiras do Parlamento regional, maior bancada na história

REUTERS

26 Março 2012 | 09h40

SEVILHA - governista Partido Popular obteve uma inédita vitória eleitoral na Andaluzia, mas sem a maioria suficiente para governar essa região espanhola, no que seria um importante impulso psicológico às medidas de austeridade impostas pelo primeiro-ministro Mariano Rajoy.

As pesquisas sugeriam que o PP poderia assumir pela primeira vez o governo da mais populosa região autônoma espanhola, o que fortaleceria seu mandato em nível nacional para ampliar os cortes de gastos públicos, como forma de tirar a Espanha da crise na zona do euro.

O PP conquistou 50 das 109 cadeiras do Parlamento regional, sua maior bancada na história. Mas o socialista PSOE e a Esquerda Unida, que elegeram respectivamente 47 e 12 deputados, podem formar uma coalizão para governar a região.

Depois de três décadas de governo socialista na região, as pesquisas indicavam que o PP poderia eleger entre 54 e 59 deputados.

Uma vitória mais sólida do PP teria colocado o partido no controle de 12 das 17 regiões espanholas, e fortalecido Rajoy para enfrentar uma semana em que há previsão de greve geral na quinta-feira e sua apresentação do orçamento de 2012, na sexta-feira.

"Um dia depois da eleição, o PP ainda é o poder dominante na Espanha ... mas eleitoralmente ele está começando a sofrer os efeitos da situação (econômica) com a qual precisa lidar", disse o jornal centro-esquerdista El País em editorial.

Em abril, Rajoy deve implantar medidas para autorizar as regiões a reduzir gastos com saúde e educação. Ele tem maioria absoluta no Parlamento nacional, o que lhe dá condições de implementar reformas rumo à meta de redução do déficit público para no máximo 5,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

Mas o analista Antonio Barroso, da consultoria Eurasia Group, alertou contra interpretações excessivas do resultado eleitoral andaluz.

"As pessoas não estão repentinamente mudando e votando contra a austeridade. O PP ainda venceu na Andaluzia. O clima não mudou para os socialistas, e uma greve geral não vai mudar os compromissos do governo com o déficit."

No ano passado, os socialistas levaram surras eleitorais em eleições nacionais e regionais por causa da má situação econômica em que deixaram o país. A Espanha se encaminha para a sua segunda recessão em três anos.

"É uma vitória agridoce para o PP. Ele ficaria com o controle de 12 das 17 regiões, e de todas as principais, exceto a Catalunha, que de qualquer maneira está comprometida com a austeridade", disse Barroso.

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