Premiê britânico diz que consertará 'sociedade quebrada'

O primeiro-ministro David Cameron disse que seu governo consertaria a "sociedade quebrada" da Grã-Bretanha para impedir que os piores distúrbios em décadas no país se repitam.

KEITH WEIR, REUTERS

15 de agosto de 2011 | 10h13

Mais de 2.800 pessoas foram detidas desde que os protestos contra a morte de um suspeito por policiais se transformaram em tumultos e saques em Tottenham, área pobre no norte de Londres. A onda de violência se espalhou pela capital e para outras cidades inglesas.

Cameron, que retornou de suas férias na Itália na semana passada no auge dos tumultos, está tentando conter a indignação pública com os protestos, que ocorreram 15 meses depois de ele assumir o cargo para chefiar uma coalizão que busca cortes de gastos.

"Isso tem sido um chamado de alerta para nosso país. Os problemas sociais que estão infestando há décadas explodiram na nossa cara", dirá Cameron, líder do Partido Conservador de centro-direita, em discurso nesta segunda-feira.

"Agora, assim como as pessoas queriam que os criminosos fossem duramente confrontados nas nossas ruas, eles querem que esses problemas sejam assumidos e derrotados. Nossa luta na segurança deve ser equiparada com nossa luta no âmbito social", dirá ele, segundo trechos do discurso que será pronunciado nesta segunda.

Cameron tem muito a perder neste momento. Qualquer repetição dos incidentes de semana passada, em que lojas foram destruídas e incendiadas e cinco pessoas morreram, irá diminuir a confiança do público em seu governo.

No entanto, analistas acreditam que Cameron, um ex-executivo de relações públicas, poderia se beneficiar politicamente se adotar uma resposta de lei e ordem mais rigorosa, como alguns eleitores gostariam.

Cameron tem respondido à crise adotando uma dura postura, e seu discurso nesta segunda-feira comentará sobre os perigos da indisciplinas na escola e dos problemas familiares, aliviando os conservadores tradicionais que acreditam que seu jovem líder é muito liberal nas questões sociais.

Cameron, de 44 anos, e os parceiros na coalizão, os liberal-democratas de centro-esquerda , irão revisar seu programa nas próximas semanas, observando questões como bem-estar social e vícios para garantir que comunidades mais fortes possam ser construídas.

Mas o premiê rejeitou a possibilidade de diminuir os cortes nos gastos, que alguns críticos de esquerda acreditam ter sido o motivo das tensões nas cidades britânicas, onde a diferença entre os ricos e pobres é gritante.

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