Premiê da Itália envia mensagem de estabilização para a Europa

O primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, prepara uma campanha para tranquilizar os parceiros europeus quanto à capacidade do seu governo tecnocrata de recuperar a economia.

PAOLO BIONDI, REUTERS

05 de janeiro de 2012 | 18h32

Monti viajou a Bruxelas, de forma inesperada e aparentemente particular, antes de uma série de reuniões com líderes europeus, destinadas a recuperar a confiança em relação às finanças públicas.

"A Europa não tem mais razão para temer a Itália", disse Monti ao jornal francês Le Figaro. O premiê italiano se reúne na sexta-feira com o presidente Nicolas Sarkozy e com o primeiro-ministro François Fillon, além de falar em uma conferência do Ministério das Finanças.

A Itália, terceira maior economia da zona do euro, ainda representa uma ameaça ao bloco, e uma situação de emergência com a sua dívida destruiria as defesas existentes e possivelmente destruiria a moeda única.

Na quinta-feira, os dividendos pagos nos títulos italianos com vencimento em dez anos superaram os 7 por cento, mais ou menos o nível que levou a Grécia a buscar ajuda internacional.

Monti ainda se reunirá com a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, no dia 11, em Berlim, e com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, no dia 18 em Londres, antes de participar de uma cúpula da União Europeia no fim do mês em Bruxelas.

Ele tem defendido medidas para gerar uma maior proximidade econômica entre os países da zona do euro, inclusive reforçando o Instrumento Europeu de Estabilidade Financeira.

Monti, ex-comissário da União Europeia, foi nomeado em novembro para o cargo de premiê, na esperança de resolver a escalada de endividamento deixada pelo seu polêmico antecessor, Silvio Berlusconi.

A Itália tem mais de 600 bilhões de euros em títulos por vencer nos próximos três anos, e não tem condições de continuar pagando os juros atuais por muito tempo. O Banco Central Europeu tem feito operações de compra desses papéis para tentar limitar o ano.

Monti promete manter a meta imposta pela UE de equilibrar o orçamento italiano até 2013, e já aprovou um pacote no valor de 33 bilhões de euros, que prevê aumento de impostos e reduções de pensões e gastos públicos.

Mas o principal problema italiano continua sendo o crescimento fraco, e sem medidas nessa frente dificilmente o país conseguirá reduzir seu endividamento, que atinge 120 por cento do PIB. A entidade patronal Confindustria estima que a economia italiana irá encolher em 1,6 por cento neste ano.

Monti promete medidas para aumentar a competitividade, o que inclui uma reforma de leis trabalhistas, à qual os sindicatos tendem a se opor. Até agora, no entanto, não houve protestos significativos contra as medidas, e a aprovação a Monti continua superior a 50 por cento.

"Os italianos aceitaram as duríssimas medidas que lhes impusemos com uma fleuma quase britânica", disse Monti ao Le Figaro. "Eles demonstraram um admirável senso de responsabilidade."

(Reportagem adicional de Luke Baker em Bruxelas)

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