Premiê da Itália ganha voto de confiança definitivo

O primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, obteve um voto de confiança definitivo nesta sexta-feira depois de ter alertado políticos de que eles teriam que enfrentar o povo se sabotassem um pacote de reformas que visa acabar com a crise de dívida.

PAOLO BIONDI, REUTERS

18 de novembro de 2011 | 14h44

Monti venceu a votação por 556 a 61 na Câmara, após uma vitória similar no Senado na quinta-feira. Seu governo de tecnocratas está agora totalmente empossado.

O premiê, que também tem um currículo voltado para economia, detalhou para o Parlamento uma gama de reformas dolorosas para melhorar as finanças públicas e aumentar a competitividade depois de uma década de crescimento estagnado.

Monti, que foi nomeado na quarta-feira para suceder Silvio Berlusconi depois que o líder de centro-direita perdeu sua maioria, disse que pretendia cumprir o mandato até as próximas eleições, marcadas para 2013.

Na sexta-feira, Berlusconi afirmou que estava preparado para ver o novo governo cumprir todo o mandato e negou ter dito aos partidários que ele podia "acabar com isso" quando quisesse. Havia suspeita de que políticos poderiam querer derrubar o governo tecnocrata.

Monti disse à Câmara antes da votação que o sucesso na aprovação de reformas profundas e dolorosas dependeria do apoio do Parlamento.

"Eu não estou pedindo por um voto cego de confiança. Estou pedindo por um voto vigilante de confiança", afirmou. "Mas acreditamos que se fizermos um bom trabalho, então vocês também fizeram. Quando vocês nos dão um voto de confiança ou o retiram, devem lembrar quais são as consequências para a confiança dos cidadãos em vocês."

PRIORIDADES

Monti havia apresentado suas prioridades de política em um discurso para o Senado na quinta-feira, em que ele esboçou uma mistura de reformas previdenciárias e trabalhistas e insinuou que poderia reintroduzir o imposto de habitação eliminado por Berlusconi.

O ex-comissário europeu ganhou o apoio de todos os principais partidos, exceto da Liga do Norte, principal parceiro na coalizão de Berlusconi.

No entanto, o partido de centro-direita de Berlusconi, o PDL, deixou claro que seu apoio é condicional. A maior força no Parlamento se opôs às opções principais na agenda de reformas de Monti, especialmente a possível cobrança de um imposto sobre a riqueza em ativos privados.

Monti disse a jornalistas após o sucesso no voto de confiança que ele iria se encontrar com os líderes mais poderosos da zona do euro -- a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy -- na próxima semana.

Ele também se reunirá com o chefe da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, e com o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy.

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