Premiê da Rússia diz que gosta de Obama, mas recomenda cautela

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, elogiou neste sábado o futuro presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, como sendo "sincero e aberto", mas disse que Moscou precisa ver como ele se sairá na prática. As relações entre Washington e Moscou estão em baixa em meio à disputa sobre o sistema americano antimísseis, a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a independência do Kosovo e a guerra da Rússia com a Geórgia. Putin afirmou que seu país está pronto para cooperar com os EUA em uma série de questões internacionais, ainda que tenha advertido contra o excessivo otimismo com relação ao novo líder americano. "Obama parece ser um homem sincero e aberto e isso, é claro, conquista as pessoas", disse Putin em uma reunião com editores dos principais jornais alemães durante visita à cidade de Dresden. No entanto, ele também afirmou: "Eu estou profundamente convencido de que as decepções mais graves surgem de esperanças excessivas. Nós precisamos ver o que acontece na prática". O premiê conduziu a Rússia como presidente de 2000 a 2008 e desenvolveu um relacionamento pessoal muito forte com o presidente George W. Bush, que sobreviveu a frequentes divergências diplomáticas. Putin, que é amplamente considerado o líder supremo de seu país, disse que Moscou notou sinais positivos na campanha de Obama sobre os planos dos EUA de construir um sistema antimísseis -- algo que o governo russo diz ameaçar sua segurança. "Isso tem a ver com a defesa de mísseis: nós ouvimos que isso pode não ser tão necessário", informou Putin aos editores alemães. "Nós também escutamos que a segurança de países como a Ucrânia e a Geórgia pode ser garantida através de outras formas e não há necessidade de conceder imediatamente a eles a qualidade de membro da OTAN", acrescentou. A Rússia é fortemente contrária aos planos de Washington de guiar os ex-Estados soviéticos em direção à aliança militar ocidental. Putin disse ainda que a Rússia e os EUA podem cooperar no controle da corrida armamentista, bem como no Oriente Médio, Irã e na crise econômica global. "Nós estamos prontos para tal cooperação, e vamos esperar por uma realização política do que nós ouvimos durante a campanha eleitoral", concluiu o premiê.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.