Premiê da Ucrânia diz que russos querem "congelá-los" negando gás

O primeiro-ministro do governo de Kiev acusou a Rússia nesta quinta-feira de tentar congelar a Ucrânia no próximo inverno usando o fornecimento de gás natural como arma para subjugar a ex-república soviética.

LOUIS CHARBONNEAU, REUTERS

25 de setembro de 2014 | 20h25

“Querem que congelemos. Este é o objetivo, é mais um trunfo nas mãos dos russos. Tirando a ofensiva militar, a operação militar contra a Ucrânia, eles têm mais um trunfo, que é a energia”, afirmou Arseny Yatseniuk nos bastidores da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York.

“O objetivo definitivo da Rússia é organizar, orquestrar um outro conflito gelado na Ucrânia".

A estatal de energia russa Gazprom GAZP.MM interrompeu o fornecimento de gás para a Ucrânia em junho por causa de uma desavença ocasionada pelas contas de gás que Kiev não pagou, despertando temores de que o país não consiga atender a demanda do produto, que chega ao auge nos meses de inverno.

A Comissão Europeia pretende propor uma solução provisória para a disputa entre Rússia e Ucrânia nas conversas que irá mediar em Berlim na sexta-feira.

Yatseniuk afirmou não haver negociações oficiais sobre o tema, embora tenha dito que um plano para ajudar os ucranianos a obter suprimentos adicionais de gás “nos ajudaria”.

A guerra entre os separatistas pró-Moscou e as forças da Ucrânia já deixou mais de três mil mortos. Kiev e os governos ocidentais vêm afirmando que foi a intervenção militar russa direta que afetou o equilíbrio no campo de batalha a favor dos rebeldes no leste ucraniano e forçou o presidente, Petro Poroshenko, a convocar um cessar-fogo em 5 de setembro depois de registrar grandes baixas nas forças governamentais.

Ecoando comentários que fez em seu discurso à Assembleia Geral na quarta-feira, Yatseniuk disse que as sanções dos EUA e da União Europeia à Rússia devem continuar em vigor até que toda a Ucrânia esteja novamente sob controle de Kiev.

"A Rússia tem que pagar o preço. Eles querem que tudo continue como antes, mas nós queremos restaurar a lei e a ordem, a integridade territorial e a independência de nosso país”.

Yatseniuk defendeu a decisão do governo de Kiev de conceder autonomia temporária às regiões rebeladas, dizendo ter sido a opção menos repugnante que tinham, assim como um gesto de “boa vontade” que demonstrou seu comprometimento com uma solução pacífica.

Ele expressou pouca confiança no presidente russo, Vladimir Putin, como parceiro nas conversas de paz.

Indagado se estava decepcionado por os Estados Unidos não terem fornecido armas a seu governo, Yatseniuk declarou que Washington tomou a dianteira ao forçar a adoção de sanções internacionais contra Moscou e que deve fazer mais, sem dar maiores detalhes. Poroshenko visitou a capital norte-americana na semana passada.

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