Premiê espanhol e adversário debatem sobre ETA e imigração

O primeiro-ministro da Espanha, José LuisRodríguez Zapatero, e o líder da oposição, Mariano Rajoy,acusaram-se mutuamente de contar mentiras para os eleitoressobre as políticas relativas à guerrilha ETA e à imigração. A troca de acusações aconteceu durante um acalorado debatetransmitido pela TV, na noite de segunda-feira. Pesquisas realizadas por canais de televisão indicam queZapatero, cujos aliados socialistas lideram as pesquisas deintenção de voto por cinco pontos percentuais para a eleição de9 de março, venceu o primeiro debate ao vivo na TV dos últimos15 anos entre um premiê e um líder da oposição. Os socialistas, atualmente no poder, comandaram um processode paz envolvendo o ETA que ruiu quando duas pessoas forammortas em um atentado a bomba ocorrido em um aeroporto deMadri, no final de 2006. O Partido Popular (PP), de Rajoy, acusou Zapatero de serleniente demais com a guerrilha separatista do País Basco. "O senhor mentiu e enganou toda a população espanhola",afirmou no debate Rajoy, cujo partido argumenta que o premiênunca deveria ter aberto a porta das negociações com o ETA. "Ao fazer isso (negociar com o ETA), o senhor agiu de modofrívolo, beneficiando os terroristas e prejudicando todos osdemais dentre nós. Esse é o maior fracasso deste governo",disse. O grupo separatista ETA matou mais de 800 pessoas ao longode sua campanha de décadas pela independência da região basca. Rajoy também tentou fazer da imigração, pela primeira vez,um assunto de destaque em uma disputa eleitoral travada naEspanha. O candidato defendeu a adoção de restrições sobre ouso do véu pelas mulheres muçulmanas e propôs um sistema deconcessão de vistos que dificultaria o acesso de muçulmanos aopaís. Zapatero respondeu que Rajoy estava sendo alarmista egerando problemas com sua campanha. "Para mim, é imoral usar o terrorismo para questõespolíticas", disse o primeiro-ministro. O atual dirigente conquistou o poder em 2004, em parte porcausa da indignação provocada pelo fato de o governo da época,então liderado pelo PP, ter culpado o ETA pelos atentados abomba em trens de Madri que mataram 191 pessoas. As acusações do governo mostraram-se falsas quando a AlQaeda assumiu a autoria dos ataques e, logo depois, militantesmuçulmanos foram detidos, denunciados e condenados. Um segundo debate televisionado deve ocorrer nasegunda-feira. (Reportagem adicional de Raquel Castillo)

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