Premiê italiano irá ao Congresso para tentar evitar renúncia

O primeiro-ministro italiano, RomanoProdi, irá ao Parlamento na terça-feira para tentar evitar umacrise governamental deflagrada pela decisão de um aliado dedeixar sua coalizão de governo. As chances de sucesso dopremiê, no entanto, parecem pequenas. Clemente Mastella, líder do partido católico Udeur, quevinha sendo essencial para garantir a maioria do governo noSenado, anunciou que seu grupo não apoiará mais o governo decentro-esquerda e declarou-se favorável à convocação deeleições. A dissidência deixa Prodi encurralado e levou a oposição apedir sua renúncia imediata. Mas o premiê decidiu falar aos parlamentares e contar comseus aliados para uma demonstração de apoio de última hora emum voto de confiança em ambas as câmaras do Parlamento. Elefará um discurso à câmara baixa às 7h (horário de Brasília)). Essa estratégia pode apenas adiar o que parece inevitável:uma crise governamental. "O primeiro-ministro não tem o dever de imediatamente ir aoQuirinale (palácio presidencial) para oferecer sua renúncia?",questionou Paolo Bonaiuti, porta-voz do líder da oposiçãoSilvio Berlusconi. Aliados dizem que Prodi estava calmo e determinado a contarseus votos antes de jogar a toalha, mas Mastella, cujo partidotem três assentos no Senado que, por sua vez, ajudaram ogoverno Prodi a sobreviver, não mostrou disposição para umacordo. "Essa maioria não existe mais, essa centro-esquerda estáacabada", disse Mastella ao anunciar a decisão de seu partidode deixar o governo. "Somos favoráveis à eleição." Mastella deixou o cargo de ministro da Justiça na semanapassada após ele e sua mulher ficarem sob investigação em umescândalo de corrupção. Na época de sua demissão, Mastelladisse que seu partido daria "apoio externo" ao governo Prodi.Nesta segunda-feira, no entanto, ele mudou de idéia. Os cenários mais prováveis no caso de uma renúncia de Prodisão a convocação de eleições antecipadas ou a formação de umgoverno interino para reformar as leis eleitorais italianas,consideradas responsáveis pela instabilidade política do país. Um governo interino precisaria de um amplo apoio de váriospartidos, o que parece pouco provável.

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