Premiê turco diz que investigação sobre corrupção é 'mancha negra'

O primeiro-mininstro da Turquia, Tayyip Erdogan, descreveu nesta terça-feira uma investigação sobre corrupção que abala o seu governo como uma "mancha negra na história democrática turca" e como uma traição pior do que qualquer um dos golpes militares das décadas passadas.

ORHAN COSKUN, Reuters

14 de janeiro de 2014 | 13h55

Em declaração a membros do seu partido, Erdogan afirmou que por trás da investigação há forças externas que se opõem à política externa afirmativa turca, e o objetivo é prejudicar a economia antes das eleições deste ano.

Ele pareceu adotar um tom mais suave quando falou dos planos para dar ao governo maior controle sobre a nomeação de juízes e promotores, dizendo que desistiria da proposta se a oposição concordasse com mudanças constitucionais.

No entanto, o principal partido de oposição, que diz que os planos do governo violam a Constituição, afirmou que só negociará com o priemiê se ele retirar as suas propostas antes. Um importante líder do partido de Erdogan declarou não estar otimista com a possibilidade de um acordo entre os dois lados.

O escândalo de corrupção, uma das maiores dificuldades enfrentadas por Erdogan nos seus 11 anos no poder, teve início em 17 de dezembro com a prisão de dezenas de pessoas, incluindo um empresário próximo ao governo e filhos de três ministros.

A Turquia é considerada pelos Estados Unidos e outros aliados ocidentais como um exemplo de democracia que funciona no mundo muçulmano desde que Erdogan foi eleito pela primeira vez em 2002.

No entanto, a repressão contra manifestações populares em junho e a reação de Erdogan ao caso de corrupção têm levantado dúvidas sobre as reformas democráticas.

"O dia 17 de dezembro é uma mancha negra na história democrática da Turquia. Ultrapassou todas as tentativas de golpe. Está sendo registrada como uma traição ao Estado, à democracia e à nação", afirmou Erdogan, aplaudido pelos seus partidários.

"Essa operação tem como alvo a nossa política externa nacional, nossa disposição nacional, nossa agência de inteligência nacional", disse.

As Forças Armadas derrubaram na Turquia quatro governos na segunda metade do século passado. Erdogan depois de assumir o poder reduziu a influência política dos militares, um feito celebrado por muitos dentro e fora do país.

(Reportagem adicional de Daren Butler e Humeyra Pamuk)

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