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Premiê turco é recebido como herói após discutir com Israel

Erdogan abandonou Fórum Econômico em Davos após se desentender com presidente israelense sobre Gaza

Agências internacionais,

30 de janeiro de 2009 | 08h03

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, foi recebido como herói ao desembarcar em Istabul nesta sexta-feira, 30, depois de protagonizar o incidente no Fórum Econômico Mundial em Davos em que abandonou um acalorado debate sobre o Oriente Médio, acusando Israel de "saber muito bem como matar". "Acho que não voltarei a Davos", disse Erdogan após o incidente, que surpreendeu a plateia. A discussão teve início quando o presidente israelense, Shimon Peres, defendia com ênfase os ataques de Israel em Gaza. O presidente israelense culpou o grupo islâmico Hamas pelas mortes de civis palestinos na última ofensiva, que matou aproximadamente 1.300 pessoas e feriu outras 5 mil. "Vocês estão assassinando pessoas", interrompeu Erdogan. Irritado e com o tom de voz alterado, Peres apontou o dedo para o premiê turco e perguntou o que ele faria se foguetes fossem lançados contra Istambul todas as noites.  Erdogan pediu então ao moderador, o colunista do jornal The Washington Post David Ignatius, permissão para falar novamente. "Eu lembro de dois ex-premiês no seu país que falaram que se sentiam felizes quando podiam entrar no território palestino em tanques", disse Erdogan após Ignatius conceder um minuto para ele falar. "Eu acho muito triste que as pessoas aplaudam o que você disse. Muitas pessoas foram assassinadas e eu acho que é muito errado e não é humanitário". O premiê turco acabou sendo interrompido pelo moderador, que disse que o tempo solicitado havia se esgotado. "Por favor, me deixe terminar", pediu Erdogan. No entanto, Ignatius respondeu que não havia mais tempo. "Muito obrigado, acho que não voltarei a Davos depois disso", retrucou o primeiro-ministro antes de deixar o debate, do qual também participaram o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o secretário da Liga Árabe, Amr Moussa. Na plateia também estava presente Valerie Jarrett, conselheira do presidente americano, Barack Obama. Após a reunião, Moussa disse que a reação de Erdogan era compreensível. "Erdogan disse o que ele queria falar e saiu. Isso foi tudo, ele estava certo", afirmou o secretário. Sobre Israel, Moussa respondeu: "Eles não escutam." Depois da discussão, Peres telefonou para Erdogan para pedir desculpas e os dois conversaram por cinco minutos. Ayelet Frisch, porta-voz do presidente israelense, confirmou que ambos se "falaram", mas negou que houvesse um pedido de desculpas por parte de Peres devido ao ocorrido em Davos. O porta-voz reiterou que a insatisfação de Erdogan não era com o presidente israelense, "mas sim com o moderador" do debate. Ao chegar na Turquia, Erdogan foi recebido por uma multidão com bandeiras turcas e palestinas e que gritava "a Turquia está orgulhosa de você". "Nosso povo esperaria a mesma reação de qualquer outro premiê turco", afirmou Erdogan durante entrevista coletiva. "Nossa reprovação não é contra o povo israelense ou judeu. Nossa reprovação é totalmente contra a administração israelense", afirmou. A Turquia, país predominantemente muçulmano mas de política secular, tem historicamente boas relações com Israel e o mundo árabe. Istambul desempenhou um papel mediador na ofensiva contra a Faixa de Gaza, particularmente negociando com os islâmicos do Hamas um cessar-fogo.

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