Pantelis Saitas/Efe
Pantelis Saitas/Efe

Premiê turco propõe à Grécia desarmar voos militares no mar Egeu

Erdogan fez sua primeira visita à Atenas desde 2004; países têm conflitos militares e territoriais

Efe e Associated Press,

14 Maio 2010 | 21h51

ATENAS- O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, defendeu nesta sexta-feira, 14, que os voos militares no mar Egeu, comum com a Grécia, sejam feitos sem armas. Erdogan fez as declarações em entrevista coletiva conjunta com seu colega grego, Yorgos Papandreou.

 

A visita de Erdogan a Atenas pela primeira vez desde 2004 é considerada "histórica" por ambos os chefes de governo, porque abre as portas para diminuir as tensões entre os dois países e reduzir as despesas de Defesa, assim como aumentar a troca comercial.

 

O primeiro-ministro turco ressaltou que as diferenças por disputas territoriais no mar Egeu "nos afastam de outras ações comuns, como investimentos em turismo e outras das quais a sociedade pode se beneficiar".

 

Por sua parte, Papandreou propôs agirem "como bons vizinhos" e opinou que, se os caças turcos apresentarem um plano de voo sobre o Egeu, "não haveria necessidade de interceptá-los".

 

Justamente durante a primeira jornada da visita de dois dias de Erdogan, os gregos denunciaram que aviões militares turcos realizaram seis sobrevoos ilegais em espaço aéreo considerado como grego sobre as ilhas de Lesbos e Limnos.

 

Erdogan lembrou que, por enquanto, "os caças gregos também voam armados", enquanto Papandreou reconheceu que desperta "medo" na Grécia o assunto de desmilitarizar as ilhas próximas à Turquia.

 

"Temos medo. Temos a experiência do passado, talvez vocês também tenham medo de uma agressão grega...", disse o primeiro-ministro grego, embora ao mesmo tempo tenha dito que é possível "evitar o medo avançando com os princípios de boa vizinhança".

 

"Existe vontade de parte de Erdogan e da minha, nesta reunião histórica, para que trabalhemos ambas as partes para reforçar ainda mais a cooperação e sentar as bases para superar os problemas do passado", ressaltou Papandreou.

 

Neste contexto, considerou um avanço a criação hoje do Conselho de Cooperação a Alto Nível Greco-Turco e pediu a cooperação de seu colega para solucionar o conflito da divisão do Chipre.

 

Erdogan se mostrou a favor de um processo de negociação com a participação das comunidades da Grécia, da Turquia e do Reino Unido, como países fiadores de sua segurança, assim como a ONU.

 

Ambos os políticos se manifestaram a favor de impulsionar os investimentos mútuos nos dois países.

 

Erdogan fixou uma meta de cerca de cinco milhões de euros de investimentos ao ano, acompanhados de investimentos conjuntos em terceiros países.

 

Turquia e Grécia ficaram à beira de entrar em guerra por três vezes entre os anos de 1974 e 1996, em disputa pela etnicamente dividida ilha de Chipre e direitos territoriais no mar Egeu, e tensões militares continuam.

 

Embora as relações tenham melhorado após os dois países terem sido atingidos por sucessivos terremotos em 1999, elas foram novamente desgastadas em 2006, quando um piloto de guerra grego morreu após colidir com um avião militar em um dos frequentes confrontos entre as duas forças aéreas sobre o Egeu.

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