Premiê ucraniana se recusa a renunciar após fim de coalizão

Partido de presidente deixa aliança, causando caos político; acordo previa saída de Yulia grupo rompesse

Agências internacionais,

17 de setembro de 2008 | 10h53

A primeira-ministra ucraniana, Yulia Timochenko, anunciou nesta quarta-feira, 17, que não renunciará ao cargo depois da ruptura da coalizão governista de governo pró-Ocidente no poder no país. A premiê, membro do partido pró-Rússia, ainda acusou presidente Viktor Yushchenko de arruinar os laços do país com Moscou e defendeu uma posição política mais balanceada com o vizinho.   O pacto que definiu a coalizão entre os partidos rivais determinava que Yulia deveria renunciar caso a aliança fosse desfeita. A saída do partido do presidente foi anunciada na terça, causando uma tempestade política no país. Os partidos iniciarão negociações para formar uma nova aliança em 30 dias. Se fracassarem, a Ucrânia terá de realizar sua terceira eleição legislativa em três anos.   Segundo a AFP, questionada sobre a renúncia estabelecida no pacto, Yulia afirmou que "a coalizão não terminou. Não somos um rebanho de ovelhas que salta no abismo porque uma ovelha assim o fez". Segundo o acordo político que levou à formação da maioria parlamentar "laranja", em caso de ruptura é preciso que o chefe do governo e o presidente da Rada renunciem a seus cargos.   Mais cedo, o presidente da Rada Suprema (Parlamento) da Ucrânia, Arseni Yatseniuk, anunciou sua renúncia em um discurso aos deputados, um dia depois de comunicar oficialmente a ruptura da coalizão parlamentar de maioria que respaldava a primeira-ministra. No entanto, esse compromisso não é juridicamente vinculativo, pois segundo a Constituição a chefe do governo e os membros do Gabinete seguirão de maneira interina até a formação de uma nova coalizão de maioria, seja na atual legislatura ou na que resultar da realização de eleições antecipadas.   "Hoje ocorreram uns eventos políticos não muito agradáveis. Mas quero assegurar-lhes que o governo vai trabalhar - e bem - durante um longo tempo", disse Yulia após a ruptura da coalizão. O partido de Yushchenko decidiu deixar a coalizão que formava com o bloco da primeira-ministra depois que o partido da chefe de governo e a oposição pró-Rússia adotaram, no início do mês, uma série de leis que reduzem o poder do presidente.   Yushchenko e Yulia participaram dos protestos de 2004 que ficaram conhecidos como Revolução Laranja. Milhares de pessoas marcharam vários dias seguidos contra os resultados do segundo turno da eleição presidencial entre Viktor Yanukovich, o candidato pró-Rússia, e Yushchenko. Yanukovich venceu o segundo turno que, segundo a oposição, foi fraudado. Mas os confrontos entre Yushchenko e Yulia - prováveis rivais nas eleições presidenciais previstas para o final de 2009 ou início de 2010 - aumentaram durante o breve conflito armado entre a Rússia e a Geórgia no início de agosto. Teme-se a formação de uma coalizão pró-Rússia entre o bloco de Yulia e o Partido das Regiões, do ex-premiê Yanukovich.

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