Presidente da Alemanha ligou para jornal para barrar artigo-Bild

O presidente alemão Christian Wulff ligou pessoalmente no mês passado para o editor do Bild, o jornal mais vendido do país, e o ameaçou com uma ação legal caso ele publicasse uma matéria sobre um empréstimo particular que ele recebeu para comprar um imóvel, pelo qual ele obteve taxa de juros mais baixas.

REUTERS

02 de janeiro de 2012 | 18h51

O Bild confirmou na segunda-feira relatos da mídia de que o chefe de estado tinha deixado uma mensagem no correio de voz do editor-chefe Kai Diekmann, na qual ele ameaçou o jornal com uma ação judicial e expressou indignação sobre os planos do jornal de publicar a história.

O jornal disse que o presidente Wulf voltou a ligar dias depois para se desculpar pelo tom e conteúdo da mensagem de voz, sem dar mais detalhes.

Wulf, aliado conservador da chanceler Angela Merkel, enfrentou intensa pressão da mídia alemã para renunciar desde que o jornal Bild relatou, em meados de dezembro, que ele mentiu a legisladores em seu estado natal da Baixa Saxônia sobre relações com um empresário endinheirado cuja esposa lhe deu 500.000 euros de empréstimo para comprar um imóvel.

Wulf, desde então, se desculpou pelo escândalo do empréstimo e recebeu o apoio de Merkel e de altas autoridades na Alemanha.

No entanto, a notícia de que ele interveio pessoalmente para impedir que a história seja publicada no Bild, tudo isso em uma viagem oficial para o Golfo, poderia aumentar a pressão sobre ele, especialmente porque ele fez questão de falar a favor da liberdade de imprensa quando fez seu pedido de desculpas no mês passado.

Um porta-voz da DJV (Associação Alemã de Jornalistas, na sigla em alemão) condenou as ações de Wulf na segunda-feira.

O papel do presidente alemão é em grande parte cerimonial, mas há o risco dos problemas refletirem negativamente em Merkel, que o empurrou para conquistar a presidência, cargo que ocupa há 18 meses.

O gabinete presidencial não quis comentar, alegando que o presidente geralmente não comenta conversas privadas e valoriza a liberdade de imprensa.

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