Presidente da Chechênia escapa por pouco de atentado a bomba

Cinco policiais ficaram feridos quando um homem-bomba detonou explosivos perto de Ramzan Kadyrov

REUTERS

30 de junho de 2010 | 17h44

Investigadores trabalham no local onde explosão ocorreu, na capital da Chechênia  

 

GROZNY, RÚSSIA- Um homem-bomba detonou explosivos nesta quarta-feira, 30, perto de um auditório onde o presidente da Chechênia assistia a um concerto. Ramzan Kadyrov escapou ileso, mas cinco policiais ficaram feridos.

"Esses bandidos não podem destruir a paz na república chechena", disse Kadyrov, um aliado de Moscou no combate a grupos separatistas islâmicos. Ele não disse se achava que era o alvo do atentado na sala de concertos de Grozny, a capital dessa região russa.

Esse é o primeiro atentado suicida em quase um ano na cidade. A Rússia enfrenta uma insurgência islâmica na Chechênia - onde separatistas travaram contra Moscou duas guerras devastadoras para a região em meados da década de 1990 - e em províncias vizinhas do norte do Cáucaso, uma região predominantemente muçulmana.

O atentado aconteceu quando o homem-bomba se aproximou de um veículo da comitiva presidencial, disse uma fonte policial à Reuters, pedindo anonimato. Essa fonte disse que o homem-bomba era um jovem de Grozny.

Kadyrov, um ex-rebelde que aderiu ao Kremlin e agora promete repetidamente eliminar a insurgência islâmica, diz que já sofreu atentados contra sua vida. Seu pai e antecessor, Akhmad Kadyrov, foi morto em 2004 por uma explosão num palanque.

Grupos de direitos humanos dizem que Kadyrov governa a Chechênia como um feudo pessoal, mas analistas dizem que um eventual atentado contra ele poderia mergulhar a república no caos - o que seria uma grande dor de cabeça para o Kremlin, que lhe dá crédito por manter a precária paz na região.

Jovens irritados com a pobreza e estimulados pela ideologia radical jihadista realizam atentados quase diários no norte do Cáucaso, e o Kremlin considera que essa região é o seu maior problema interno.

Muitos desejam criar um Estado islâmico independente, e chamam de infiéis os líderes da região, acusando-os de abandonar o verdadeiro Islã para se alinhar ao Kremlin, segundo sites simpáticos a esses militantes.

No ano passado, o líder da Inguchétia, Yunus-Bek Yevkurov, escapou por pouco de um atentado suicida.

(Por Amie Ferris-Rotman)

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