Presidente da França insta África a assumir controle de própria segurança

Depois que a França se viu forçada a embarcar em sua segunda operação militar neste ano, o presidente francês, François Hollande, pediu nesta sexta-feira aos líderes africanos que assumam o controle da segurança em seu continente por meio da criação de uma força regional, que vem sendo adiada há muito tempo.

DANIEL FLYNN E JOHN IRISH, Reuters

06 de dezembro de 2013 | 17h29

A França enviou tropas nesta sexta-feira para a República Centro-Africana, depois de ter obtido o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) para uma missão a fim de acabar com a violência religiosa no país, que tem 4,6 milhões de habitantes. Essa ação se seguiu a uma ampla operação francesa para desalojar militantes ligados à Al-Qaeda dos desertos no norte do Mali, também neste ano.

Hollande disse a cerca de 40 líderes africanos, reunidos em uma cúpula de dois dias em Paris para discutir segurança, que a crise na República Centro-Africana mostrou a urgente necessidade de pressionar pela criação da Força Africana de Reserva.

"A África tem de ser mestre de seu destino e isso significa comandar a própria segurança", disse ele, depois de um momento de silêncio em homenagem ao líder antiapartheid, Nelson Mandela, que morreu na quinta-feira.

Cerca de 400 mil pessoas foram deslocadas de suas casas na República Centro-Africana desde que em março rebeldes muçulmanos tomaram o poder no país, de maioria cristã. A violência está aumentando e mais de 100 pessoas foram mortas na capital, Bangui, na quinta-feira.

Com a França ansiosa por se livrar da reputação de "policial da África", Hollande disse que seu governo está pronto para treinar 20.000 soldados africanos por ano e prover equipes para a estrutura de comando da força. A França também poderia fornecer ajuda logística, disse ele.

Mais de uma década depois de ter sido sugerida, a Força Africana de Reserva ainda não se concretizou. Em maio, a União Africana aprovou um mecanismo temporário, a Capacidade Africana para Resposta Imediata a Crises, depois que a intervenção da França no Mali deixou evidente a incapacidade da África de resolver a crise.

A criação da força tem sido afetada por falta de financiamento e capacidade logística - especialmente aviões para transporte - bem como a carência de uma estrutura de comando.

"Nós estamos agradecidos à França, mas não é normal que seja forçada a intervir para nos salvar, como um bombeiro, 50 anos depois da independência", disse o presidente da Guiné, Alpha Condé, defendendo a criação de uma "Otan" africana, referindo-se à Organização do Tratado do Atlântico Norte.

"O que está acontecendo em Bangui, logo depois do Mali, deveria nos fazer refletir, e espero que aqui ... nos daremos meios para resolver conflitos na África."

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