Presidente da Geórgia assina proposta de cessar-fogo

Mikhail Saakshvili ratidica proposta apresentada por diplomatas da Finlândia e da França

Associated Press, Efe

11 de agosto de 2008 | 06h56

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakshvili, assinou nesta segunda-feira, 11, uma proposta de cessar-fogo para o conflito com a Rússia na província separatista da Ossétia do Sul. O acordo foi intermediado pelos chanceleres da França, Bernard Kouchner, e da Finlândia, Alexander Stubb, que levaram a proposta a autoridades russas.   'Grande parte da operação de paz está concluída', diz Rússia Entenda o conflito separatista na Geórgia Professor comenta a situação no Cáucaso  Galeria de fotos do conflito    Segundo a televisão georgiana, que ofereceu imagens do momento da assinatura, o documento será entregue aos russos por Kouchner e Stubb, que viajarão às 15h (8h de Brasília) a Moscou para se reunir com os dirigentes russos. Kouchner, que apresentou nesta segunda ao presidente georgiano um "plano para o cessar-fogo" na região, palco de confrontos pelo quarto dia consecutivo, afirmou que Saakashvili está "decidido a conseguir a paz".   "O presidente Saakashvili aceitou praticamente todas as propostas que fizemos", afirmou Kouchner à televisão francesa. O chanceler francês exerce este semestre a Presidência semestral do Conselho de ministros da União Européia (UE). Ele ressaltou que o objetivo da visita à região era "propor uma trégua" em forma de fim imediato e incondicional das hostilidades, uma promessa assinada de não voltar a usar a força e retirada das tropas.   O presidente francês, Nicolas Sarkozy, viaja na terça-feira à capital russa, onde deve abordar a situação com o chefe de Estado russo, Dmitri Medvedev.   Medvedev afirmou nesta segunda que "grande parte da operação militar para impor a paz à parte georgiana na região separatista da Ossétia do Sul está concluída". "Tskhinvali (capital da Ossétia do Sul) está sob controle do reforçado contingente de paz russo", assegurou Medvedev em reunião com o ministro da Defesa, Anatoli Serdiukov, segundo a agência russa Interfax. O presidente russo ressaltou que as tropas de paz russas continuarão fazendo "tudo o que estiver em suas mãos para defender a vida e a dignidade dos cidadãos russos".   De acordo com os militares russos, 2 mil pessoas morreram na Ossétia do Sul nos confrontos desde sexta-feira e outros milhares se refugiaram nas vizinhas Rússia, Armênia, Turquia, configurando, segundo Moscou, uma "catástrofe humanitária". A Itália retirou 140 de seus cidadãos de Tbilisi e os transportou para Yerevan, capital da Armênia.    Conflito   A Ossétia do Sul declarou sua independência em 1992, depois da dissolução da União Soviética, mas os georgianos não aceitaram. Seguiu-se um breve conflito armado que terminou com a retirada das forças georgianas da província, que se tornou independente na prática, apesar de não ser reconhecida pela comunidade internacional. Os ossétios do sul querem se unir à Ossétia do Norte, que fica na Rússia. A tensão se elevou depois da eleição do presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, em 2004, com a promessa de recuperar a Ossétia do Sul e a Abkházia, outra província autoproclamada independente com o apoio da Rússia. Saakashvili se aproximou dos EUA e defendeu o ingresso da Otan, provocando vigorosa reação contrária de Moscou. Os russos distribuíram passaportes para dois terços da população da Ossétia do Sul (que tem 70 mil habitantes), e justificam a intervenção na província como forma de proteger seus cidadãos.Situada no Cáucaso, a Geórgia tem posição estratégica no escoamento do gás da Ásia Central para a Europa, que se ressente da excessiva dependência do gás russo. O gasoduto de Nabucco, planejado por países europeus, atravessará a ex-república soviética. var keywords = "";   (Com Lourival Sant´Anna, de O Estado de S. Paulo)   Matéria atualizada às 7h35.

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