Presidente da Itália alerta contra ataques a juízes

O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, alertou na segunda-feira que os ataques a magistrados atingiram um nível perigoso, depois de um cartaz eleitoral do partido governista Povo da Liberdade (PdL) compará-los ao extinto grupo radical esquerdista Brigadas Vermelhas.

REUTERS

18 de abril de 2011 | 18h54

Os cartazes, espalhados por Milão por um candidato do partido nas eleições locais do mês que vem, diz: "Tirem as BR (Brigadas Vermelhas, na sigla em italiano) da promotoria."

Napolitano, que como chefe de Estado tem poderes apenas simbólicos, disse que os cartazes são um insulto às pessoas que foram mortas pelas Brigadas Vermelhas durante a época de violência política conhecida como "Anos de Chumbo", nas décadas de 1970 e 80.

"Isso também mostra a maneira como o confronto político e eleitoral está alcançando um limite além do qual as formas mais perigosas de frustração e difamação podem ganhar forma", disse ele em carta ao presidente da CSM, entidade que representa os magistrados italianos.

O primeiro-ministro do país, Silvio Berlusconi, do PdL, tem há anos uma relação conflituosa com os juízes, mas a situação se agravou nos últimos meses, com o início de diversos processos contra o premiê, inclusive por suspeitas de fraude fiscal e de crimes sexuais.

Nas últimas semanas, Berlusconi disse estar sendo perseguido por juízes "subversivos" e "comunistas", e também os comparou às Brigadas Vermelhas.

(Por James Mackenzie)

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