Presidente da Itália pede mais tempo para resolver crise

O presidente da Itália, GiorgioNapolitano, pediu na terça-feira mais tempo para decidir seconvoca eleições ou se forma um governo interino que substituao gabinete de Romano Prodi, demissionário desde a semanapassada. O líder oposicionista conservador Silvio Berlusconi exigiueleições imediatas -- que, segundo as pesquisas, seriamvencidas por ele. Já a coalizão de centro-esquerda, atualmenteno governo, prefere um gabinete provisório que promova umareforma eleitoral. Após quatro dias de consultas com 19 delegações de líderespolíticos e ex-chefes de Estado, Napolitano disse que faria"uma pausa para reflexão". Ele não indicou quando anunciariauma decisão, mas um assessor afirmou que provavelmente será naquarta-feira. "Como o sr. pode pensar em deixar em suspenso um país queprecisa de um governo real urgentemente, enquanto procuramosalgo em que não há nem chance remota de encontrarmos umaplataforma comum hoje?", disse Berlusconi a jornalistas apósreunião com o presidente. Já Walter Veltroni, dirigente do Partido Democrático(esquerda), disse a Napolitano que as eleições deveriam esperaraté junho ou depois, para dar tempo às reformas políticas eeconômicas. "Eleições agora significam instabilidade amanhã",disse Veltroni. Depois das reuniões de terça-feira, Napolitano qualificou asituação como "complicada e difícil". Uma fonte política disse não haver uma maioria clara emfavor de eleições antecipadas, o que significa que Napolitano,um ex-comunista, deve nomear um governo provisório,provavelmente liderado pelo presidente do Senado, FrancoMarini, ou pelo atual ministro do Interior, Giuliano Amato. Segundo essa fonte, apenas três partidos de direita (ForzaItalia, de Berlusconi, mais a Aliança Nacional e a Liga Norte)querem eleições, além de um partido comunista. Prodi perdeu na quinta-feira passada um voto de confiançano Senado, onde dias antes ficara sem maioria. O momento é delicado no país, que tem a terceira maioreconomia da zona do euro. Na terça-feira, porém, Prodi disseque a crise pode ser resolvida rapidamente, sem abalar asperspectivas econômicas. Novos dados mostram que a confiança do empresariadoitaliano caiu a seu menor nível desde o final de 2005, quandoBerlusconi governava e a economia cambaleava. Uma instituiçãode pesquisa reduziu de 1,4 para 0,9 por cento a estimativa decrescimento para 2008. Berlusconi é hoje o favorito para suceder a Prodi caso hajaeleições imediatas, mas analistas temem que a volta de seuestilo político, caracterizado por grandes gastos públicos,reverta todo o trabalho feito por Prodi para reduzir o déficitorçamentário. O vice-primeiro-ministro demissionário Francesco Rutellidisse que "não há mais qualquer laços de coalizão" entre osnove partidos que garantiram a apertada vitória de Prodi naeleição de 2006, e que viveram às turras desde então. "Basta de coalizões amplas demais", disse Rutelli. "Issonão significa que não faremos alianças, mas que apenas asfaremos com pessoas que compartilhem da nossa visão." (Reportagem adicional de Gavin Jones, Phil Stewart,Francesca Piscioneri, Philip Pullella e Giselda Vagnoni)

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