Reuters
Reuters

Presidente da Líbia quer propor à ONU o fim da Suíça

Prisão do filho de Kadafi no país europeu irritou líbio; caçula foi detido por espancar funcionários de hotel

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

21 de setembro de 2009 | 08h29

Ex-pária na comunidade internacional, o líder líbio Muamar Kadafi falará pela primeira vez em uma Assembleia-Geral da ONU na quarta-feira, em Nova York. Mas seu discurso promete provocar uma nova polêmica: ele deve propor a dissolução da Suíça.

 

A proposta do líder líbio seria que cada região do país fosse "devolvida" para França, Alemanha e Itália. A Suíça é um Estado confederado formado por cantões com as três línguas.

 

As informações foram apresentadas pela deputada Christa Markwalder, no Parlamento suíço, depois que ela teve acesso à proposta líbia. Segundo ela, Kadafi chegou a pedir que o tema fosse incluído na agenda oficial da cúpula da ONU.

 

A iniciativa seria uma resposta à "ousadia" dos suíços por terem detido no ano passado o filho caçula do líder líbio, Hannibal, após ele ter espancado dois funcionários de um hotel de Genebra. As vítimas chamaram a polícia e o líbio foi levado à delegacia. Irritado, Kadafi decidiu retaliar, interrompendo o comércio com a Suíça - incluindo a venda de petróleo. Além disso, sequestrou dois suíços, que há mais de 400 dias estão sem poder sair da Líbia.

 

Para obter a libertação de seus cidadãos, o presidente da Suíça, Hans Rudolf Merz, pediu desculpas oficiais. Genebra enviou então um avião a Trípoli para buscar os sequestrados. Uma semana depois, porém, o avião retornou para a Europa vazio. Agora, Merz sofre pressão interna para deixar o cargo.

 

A ideia da dissolução da Suíça não é nova. Em julho, Kadafi já havia advertido numa reunião do G-8 na Itália, onde participou como convidado, que a Suíça "não é um Estado, é uma máfia mundial, formada por uma comunidade italiana que deveria voltar para a Itália, uma comunidade alemã que deveria voltar para a Alemanha e uma comunidade francesa que deveria voltar para a França".

 

Recentemente, Kadafi também constrangeu o governo britânico com a recepção calorosa em Trípoli ao autor do atentado ao avião da Panam na cidade escocesa Lockerbie, em 1988, que matou 270 pessoas. O ex-agente líbio Abdelbaset Ali Mohmed al-Megrahi havia sido condenado à prisão perpétua, mas foi libertado por problemas de saúde.

 

Ao renunciar ao seu programa nuclear, em 2003, Kadafi abriu caminho para que o país voltasse a ser aceito pela comunidade internacional. Em outubro, a Líbia passa a presidir a Assembleia-Geral da ONU.

Tudo o que sabemos sobre:
LíbiaONUSuíça

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.