Presidente da Ucrânia dissolve Parlamento e convoca eleições

Acusando premiê de 'ignorar interesses', Viktor Yushchenko abandona tentativa de formar governo de coalizão

Reuters e AP,

08 de outubro de 2008 | 15h31

Abandonando a tentativa de formar um governo de coalizão, o presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, dissolveu nesta quarta-feira, 8, o Parlamento e convocou eleições antecipadas. "Declaro que as atividades do Parlamento sejam suspensas e peço uma eleição parlamentar antecipada", afirmou Yushchenko em um discurso televisionado à nação. "A votação acontecerá do jeito democrático, sob a legislação", continuou.   Veja também: Coalizão pró-ocidente chega ao fim na Ucrânia   Yushchenko acusou sua colega da Revolução Laranja, a primeira-ministra Yulia Tymoshenko, de ignorar os interesses nacionais em troca do poder. "Estou convencido de que a coalizão democrática foi arruinada por apenas uma coisa: a ambição humana. A ambição de uma pessoa", disse o presidente ucraniano em seu pronunciamento. "A sede pelo poder, os valores diferentes, os interesses pessoais sob os interesses nacionais", acrescentou.   Já Yulia acusa Yushchenko de tentar tirá-la da disputa pela Presidência em 2010. Para ela, o presidente não se esforça para tentar salvar a coalizão, mesmo sabendo que outra eleição irá prejudicar muito o país, fortemente atingido pela crise financeira internacional.   Os dois lideraram a Revolução Laranja, em 2004, que levou Yushchenko à Presidência e deixou o país mais próximo do Ocidente. Porém, disputas por poder e divergências sobre política externa têm minado o relacionamento dos dois.    Embora o presidente ucraniano não tenha anunciado a data do pleito, a imprensa acredita que as eleições devem acontecer já no primeiro trimestre de 2009. A nova crise da coalizão laranja eclodiu há um mês, quando o grupo de Yulia Timoshenko, um dos pilares da coalizão laranja, apoiou no Parlamento um projeto de lei que diminuía o poder do presidente e simplificava o procedimento para uma eventual impugnação.   Yushchenko acusou Timoshenko de tentar implantar "uma ditadura do primeiro-ministro". Depois, o bloco formado pelo partido de Yushchenko abandonou a coalizão parlamentar laranja. Desde então, o presidente ucraniano pediu repetidamente ao bloco presidencial que retomasse a coalizão, que exigiu em troca que a primeira-ministra rejeitasse o polêmico projeto de lei e apoiasse publicamente a Geórgia em seu conflito com a Rússia. A mais recente coalizão laranja se formou em dezembro do ano passado.  

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