Evan Vucci/AP
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Presidente da Ucrânia pede mais ajuda ao Congresso dos EUA

"Cobertores, óculos de visão noturna também são importantes; mas não se vence uma guerra com cobertores", disse o presidente da Ucrânia

PATRICIA ZENGERLE, REUTERS

18 de setembro de 2014 | 16h40

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, pediu uma ajuda maior dos Estados Unidos, incluindo armas, em uma visita nesta quinta-feira ao Congresso norte-americano, onde foi recebido calorosamente, mas a oferta mais recente dos EUA não incluiu o armamento que ele deseja.

“Por favor me entendam corretamente. Cobertores, óculos de visão noturna também são importantes. Mas não se vence uma guerra com cobertores”. E acrescentou: “Mais que isso, não podemos manter a paz com um cobertor”.

Saudado por congressistas que querem armar a ex-república soviética, Poroshenko declarou que suas forças "precisam de mais equipamento militar, tanto letal quanto não-letal – urgentemente".

Tendo recebido a honra de discursar às duas casas do Congresso, refletindo o apoio dos Estados Unidos à luta de seu país contra os separatistas amparados pela Rússia, ele afirmou que Washington deveria aplicar mais sanções a Moscou e dar à Ucrânia um status especial de segurança.

Enquanto ele falava, o governo do presidente dos EUA, Barack Obama, prometeu 53 milhões de dólares em ajuda, a maior parte relacionada à segurança, mas não armas.

O pacote inclui equipamentos anti-morteiro de detecção por radar - usados para localizar disparos de artilharia no ar-, veículos de patrulha e de transporte, equipamento de vigilância, vestimentas de detecção de explosivos, equipamentos de blindagem, rações e equipamento para desarmar minas.

A Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan), receosa de ser arrastada para um conflito com a Rússia no leste ucraniano, decidiu não enviar armas para a Ucrânia, que muitas vezes se viu menos bem armada que os separatistas.

Poroshenko contextualizou historicamente os combates na Ucrânia, que classificou como “a história mais heroica da última década”.

“O desfecho da guerra atual irá determinar se seremos forçados a aceitar a realidade de uma Europa mergulhada na escuridão, dividida e amarga como parte da nova ordem mundial”, declarou.

Ele insistiu que a Ucrânia jamais aceitará a anexação russa da Crimeia, que chamou de “um dos atos de traição mais cínicos da história moderna”.

Poroshenko, que assumiu como presidente em junho e espera consolidar sua autoridade em uma eleição parlamentar em 26 de outubro, visitou a Casa Branca para conversas com Obama depois do discurso ao Congresso.

O líder pró-ocidente pediu um cessar-fogo em 5 de setembro, que se mantém apesar da fragilidade. Na quarta-feira o primeiro-ministro ucraniano, Arseni Iatseniouk, pediu às forças do governo que permaneçam em alerta máximo, já que combates na cidade de Donetsk, tomada pelos rebeldes, mataram pelo menos dois civis.

Moscou nega que suas unidades militares estejam envolvidas em conflitos na Ucrânia.

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