Presidente georgiano propõe fim imediato das hostilidades

Comandante das tropas russas na Ossétia do Sul disse que a Geórgia ainda bombardeia a capital, Tskhinvali

Agências Internacionais

09 de agosto de 2008 | 09h32

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, propôs neste sábado, 8, o fim imediato das hostilidades na Ossétia do Sul e o início do processo de desmilitarização dessa região separatista georgiana. "Propomos o cessar-fogo imediato e o início da retirada de tropas", disse Saakashvili, em entrevista coletiva.   Veja também: Medvedev anuncia ofensiva russa para 'impor a paz' à Geórgia Ofensiva matou 1.400, diz líder separatista ONU diz que milhares fugiram para a Rússia Entenda o conflito separatista na Geórgia Assista ao vídeo no Youtube  Professor comenta a situação no Cáucaso  Galeria de fotos do conflito    Tropas e tanques russos entraram nesta sexta-feira, 8, na região separatista de Ossétia do Sul, na Geórgia, em defesa da província. O primeiro-ministro russo Vladimir V. Putin declarou que "a guerra começou", enquanto o presidente georgiano Mikheil Saakashvili acusava Moscou de uma "invasão bem planejada", segundo o jornal The New York Times.   Invasão russa foi motivada pela grande operação militar contra a província separatista da Ossétia do Sul lançada pelo governo da Geórgia na madrugada de sexta-feira, 8, para retomar o controle da província de 70 mil habitantes que desde os anos 90 luta pela independência com apoio de Moscou.   Os separatistas estimam que 1,4 mil civis na Ossétia do Sul morreram. A Rússia diz que 12 de seus soldados pereceram nos combates, e o president Saakashvili disse que 30 georgianos foram mortos.   O comandante das tropas russas de paz na Ossétia do Sul, general Marat Kulakhmetov, disse desconhecer a iniciativa. "A parte georgiana está bombardeando Tskhinvali (capital da Ossétia do Sul) durante 40 minutos", disse, em relação à cidade que as tropas russas reconquistaram neste sábado, 9, para os separatistas. Também não param, disse, as "tentativas de ataque à cidade com o uso de carros de combate e transportes blindados".   De acordo com os dados oficiais mais recentes, em três dias de combates, as forças governamentais georgianas tiveram cerca de 50 baixas e aproximadamente entre 470 e 480 feridos.   Simultaneamente, um comunicado divulgado pela Chancelaria georgiana acusa a Rússia de lançar uma "agressão militar de grande escala contra um Estado soberano". "A aviação russa bombardeia alvos militares e civis em todo o território da Geórgia. Em águas da Abkházia (outra região separatista), entraram navios da Marinha russa", diz o documento.   Enquanto isso, unidades do Exército russo entraram na Ossétia do sul para implantar um "regime de ocupação militar", segundo a nota. "Hoje, a Geórgia está de fato em guerra com a Rússia", diz o documento, e assegura que "o Estado georgiano empreende todas as medidas para preservar a independência e garantir a segurança de seus cidadãos".   Bombardeio teria matado 18   O ministério do Interior da Geórgia acusou a Rússia de bombardear instalações estratégicas nos arredores de Tblisi, a capital da ex-república soviética. De acordo com o porta-voz Shota Utiashvili, as bombas caíram no oleoduto que liga a capital às cidades de Ceyhan e Baku. O porto de Poti, no Mar Negro, também sofreu danos.   O representante do governo georgiano ainda afirmou que há um número significativos de baixas e danos materiais no ataque. Segundo fontes georgianas, pelo menos seis pessoas morreram sob as bombas no porto de Poti. Outras 12 tombaram em Senaki, onde, além disso, ficaram feridos 14 militares e reservistas.   Aviação russa ataca Abkházia   A aviação russa atacou neste sábado, 8, vários povoados georgianos no desfiladeiro de Kodori, a única parte da separatista Abkházia que segue leal ao Governo da Geórgia, informou a televisão georgiana.   Os bombardeios de Kodori poderiam provocar a explosão bélica na Abkházia, cujo regime separatista é aliado do similar na Ossétia do Sul, e poderia tentar aproveitar a difícil situação da Geórgia.   Desde o começo do conflito na Ossétia do Sul, a Abkházia concentrou suas tropas na fronteira com a Geórgia e enviou mil soldados em apoio à primeira região.

Tudo o que sabemos sobre:
GeórgiaOssétia do SulRússia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.