Presidente italiano continua consultas para solucionar crise

Napolitano anuncia entre terça e quarta-feira se convoca novas eleições ou pede a criação de governo interino

Efe,

29 de janeiro de 2008 | 10h20

O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, dá continuidade nesta terça-feira, 29, às consultas para solucionar a crise do governo, embora ainda não se saiba se ele divulgará sua decisão ainda nesta terça ou na quarta-feira sobre a possibilidade de convocar novas eleições ou criar um governo interino após a renúncia do ex-premiê Romano Prodi. Napolitano terá que escolher entre as diferentes possibilidades que se apresentam a ele, principalmente entre convocar eleições ou encomendar a criação de um novo governo. No caso da segunda opção, o presidente pode escolher entre várias versões, embora todos os observadores concordem que a principal é um governo de caráter técnico que redija uma nova lei eleitoral. O chefe de governo deve se reunir na manhã desta terça com o líder do Forza Itália, Silvio Berlusconi, e com o do Partido Democrático, Walter Veltroni. Com eles encerrará a rodada de consultas com os representantes de todos os partidos com participação parlamentar. Durante a tarde se reunirá com três de seus antecessores à frente do governo, Francesco Cossiga, Oscar Luigi Scalfaro e Carlo Azeglio Ciampi. Muitos italianos atribuem a grande instabilidade sofrida pelo governo de Romano Prodi à atual legislação e temem que ela possa se reproduzir no próximo Executivo que sair das urnas. Os partidos de centro, com os democratas cristãos e toda a esquerda incluída, são a favor de um governo técnico, enquanto a direita e a extrema-direita são partidárias da convocação de eleições, convencidas de sua vitória. Além disso, o setor da economia representado pelas patronais é a favor da reforma do sistema eleitoral. As patronais propõem a criação de um governo de transição que tenha outras incumbências, como um pacto social que reduza os impostos sobre as empresas, melhore a produtividade e permita aumentar os salários dos trabalhadores. O pedido foi feito na segunda pelo presidente da Confindustria (Confederação Geral da Indústria Italiana), Luca Cordero di Montezemolo, após o Banco da Itália divulgar que as famílias com apenas um trabalhador não viram suas rendas crescerem desde 2000. Vários partidos políticos, entre eles o Partido Democrático de Veltroni, preferem a criação de um governo de transição responsável por várias reformas, apesar de não parecer que Napolitano tenha muitas possibilidades para pedir sua formação. Embora a maior parte dos partidos e atores sociais sejam a favor de um governo técnico, Napolitano tem que enfrentar as pressões de Berlusconi, que disse que levará um milhão de pessoas a uma manifestação em Roma caso as eleições não sejam convocadas. Além disso, Napolitano, um antigo comunista, teria que enfrentar a eventual acusação de ser parcial, caso não atenda às exigências da direita.

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