Presidente italiano pede a Bersani que veja se pode formar governo

O presidente italiano, Giorgio Napolitano, pediu nesta sexta-feira ao líder de centro-esquerda, Pier Luigi Bersani, que avalie se pode obter apoio suficiente no dividido Parlamento da Itália para formar um governo e terminar o impasse político deixado pelas eleições no mês passado.

JAMES MACKENZIE E BARRY MOODY, Reuters

22 de março de 2013 | 16h18

Depois de dois dias de consultas com líderes políticos, Napolitano disse que deu a Bersani uma autorização para conversar com outros partidos e ver se pode obter o apoio necessário para um voto de confiança nas duas Casas do Parlamento, onde nenhum grupo tem uma maioria viável.

Bersani terá que se reportar a Napolitano o mais rápido possível sobre se pode comandar uma maioria governante, algo que parece extremamente difícil atualmente.

O líder da centro-esquerda, cujo grupo obteve uma maioria pequena sobre a centro-direita de Silvio Berlusconi na eleição, disse que iria buscar formar um governo reformista "com o máximo equilíbrio e determinação".

A eleição deu à centro-esquerda o controle da Câmara Baixa, mas não lhe deu a maioria no Senado, o que significa que ela não pode governar sozinha.

Bersani até agora insistiu que quer formar um governo com o apoio do populista Movimento 5 Estrelas, e recusou sondagens de Berlusconi, que quer formar uma grande coalizão entre os dois grupos políticos tradicionais.

Mas Bersani vem sendo repetidamente e rudemente rejeitado pelo líder do 5 Estrelas, o ex-comediante Beppe Grillo. Napolitano comentou o pedido de Berlusconi por uma coalizão ampla, mas disse que essa fórmula tinha fracassado em dezembro, quando a centro-direita retirou o apoio do premiê tecnocrata Mario Monti, que era apoiado pela direita e pela esquerda.

Napolitano disse que a coalizão que apoiava Monti tinha sido incapaz de aprovar reformas essenciais, principalmente mudanças em uma lei eleitoral que é amplamente responsável pelo impasse atual.

O perigoso entrave político na terceira maior economia da zona do euro coincide com uma crise bancária em Chipre que reviveu os temores de uma nova turbulência no mercado financeiro.

Bersani disse na noite de quinta-feira que esperava ser capaz de apresentar um programa limitado de reformas econômicas e institucionais que pudessem ser apoiadas por todas as forças no Parlamento.

No entanto, o líder do Partido Democrático (PD), cuja posição vem sofrendo pressão crescente por seu fracasso em converter uma liderança de 10 pontos nas pesquisas de opinião em uma vitória eleitoral, enfrenta resistência de outros partidos.

Napolitano, dando uma explicação detalhada extremamente incomum de sua decisão, disse que a Itália deve se decidir rapidamente, mas formar um governo que possa atender programas sociais e econômicos profundos.

Ele disse que a eleição mostrou que há um grande descontentamento com a política tradicional na Itália e pediu unidade nacional e um fim ao conflito paralisante entre os partidos.

O chefe de Estado rejeitou sugestões de que o processo de formar um governo estava demorando demais. Um mês já se passou desde a eleição, mas Napolitano disse que o país estava se movendo o mais rápido que podia dentro dos limites constitucionais.

Se não for alcançado nenhum acordo durável, a Itália pode ter que voltar às urnas em alguns meses, atrasando qualquer perspectiva de reforma substancial em sua economia estagnada, agora em sua mais longa recessão em 20 anos.

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