Presidente português convoca eleições para 05 de junho

O presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, dissolveu o Parlamento nesta quinta-feira e convocou eleições gerais antecipadas para 5 de junho, prevenindo o país de que o próximo governo enfrentará uma "crise econômica sem precedentes".

SHRIKESH LAXMIDAS, REUTERS

31 Março 2011 | 18h41

O presidente tomou a decisão num momento em que o país se depara com graves desafios econômicos que ameaçam empurrá-lo para o mesmo caminho da Grécia e Irlanda, na busca de ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O primeiro-ministro José Sócrates renunciou na semana passada, depois que a oposição rejeitou as medidas de austeridade propostas por seu governo.

A saída de Sócrates levou ao rebaixamento de Portugal pelas agências de classificação de risco, elevou seus títulos aos valores mais altos desde a adoção do euro e ampliou a pressão para que o país busque socorro externo.

"Tomei a decisão de convocar eleições legislativas tendo em conta a objetiva e indiscutível situação política, evidenciada pela crescente dificuldade do governo minoritário e da oposição em estabelecer entendimentos em torno das medidas necessárias para ultrapassar os problemas econômicos e sociais com que Portugal se defronta", disse Cavaco Silva.

Os desafios econômicos cresceram nesta quinta-feira, já que o país não cumpriu suas metas de déficit orçamentário para 2010.

"O próximo governo enfrentará uma crise financeira e econômica sem precedentes", disse o presidente. "As dificuldades do país são tão profundas que ninguém pode ter a ilusão de que elas irão desaparecer de um dia para o outro."

Todos os partidos de oposição e o governista Partido Socialista haviam pedido que ele convocasse as eleições o mais rapidamente possível, disse o presidente.

Ele tomou a decisão de marcar a data da eleição para 5 de junho depois de uma reunião na manhã desta quinta-feira com o Conselho de Estado, um órgão consultivo integrado por 19 destacados representantes políticos, incluindo Sócrates.

A oposição havia rejeitado a ideia de um gabinete de coalizão, como alternativa à antecipação das eleições, e também descarta a possibilidade de alianças pré-eleitorais, o que demonstra a crescente polarização e antagonismo entre os partidos.

O governo de Sócrates permanecerá no poder até a eleição, em caráter interino, com poderes limitados.

O ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, já havia antecipado que o governo interino não teria poderes de buscar um pacote de ajuda externa.

O Instituto Nacional de Estatísticas informou nesta quinta-feira que o déficit orçamentário do país alcançou 8,6 por cento do PIB em 2010, acima da meta de 7,3 por cento fixada pela União Europeia.

Sócrates insiste que o país pode sair da crise sem ter de pedir Socorro financeiro, mas o líder do principal partido oposicionista, o Social Democrata, disse à Reuters que sua legenda, que lidera as pesquisas de opinião, iria avaliar o apoio a um pedido de empréstimo se a crise financeira piorar.

(Reportagem adicional de Filipa Lima, Daniel Alvarenga e Sérgio Gonçalves)

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