Presidente russo alerta sobre nova corrida armamentista

O presidente russo, Dmitry Medvedev, afirmou nesta terça-feira que uma nova corrida armamentista começará na próxima década se a Rússia e o Ocidente não chegarem a um acordo para cooperar na construção de um sistema de defesa antimísseis.

STEVE GUTTERMAN, REUTERS

30 de novembro de 2010 | 12h17

Em seu discurso anual do Estado da Nação, Medvedev pediu cooperação mais estreita com os Estados Unidos e a União Europeia, oferecendo a perspectiva de estreitamento dos laços duas décadas depois de o colapso da União Soviética ter posto fim à Guerra Fria.

Mas ele disse que a tensão vai crescer rapidamente, obrigando a Rússia a reforçar seu arsenal militar, se os esforços ocidentais de cooperação em um sistema de defesa contra ameaças com mísseis não resultarem em um acordo concreto.

"Na próxima década, enfrentamos as seguintes alternativas: ou alcançamos um acordo sobre a defesa antimísseis e criamos um mecanismo completo de cooperação conjunta, ou terá início uma nova rodada da corrida armamentista", disse Medvedev.

"E teremos que tomar uma decisão sobre o posicionamento de novas armas ofensivas. Está claro que esse cenário seria muito grave."

Essas observações, feitas em um discurso de mais de uma hora para parlamentares e ministros, elevaram os trunfos em jogo nas discussões delicadas com os EUA e a Otan sobre a defesa antimísseis.

A questão vem dividindo a Rússia e o Ocidente desde a década de 1980.

Medvedev concordou com a oferta feita pela Otan de cooperação na defesa antimísseis em uma reunião de cúpula com a aliança, que foi saudada como um novo começo, mas os planos estão pouco definidos, e a Rússia já avisou que quer ter voz igual na avaliação das ameaças e das respostas.

Desde que foi conduzido à presidência por seu predecessor, Vladimir Putin, Medvedev vem buscando tornar mais cordiais as relações de seu país com o Ocidente, em especial com os EUA.

Ele elogiou os esforços do presidente Barack Obama para "relançar" um relacionamento que chegou ao ponto mais baixo, no pós-Guerra Fria, durante a guerra da Rússia contra a Geórgia, em agosto de 2008, meses após sua chegada ao poder.

O aviso em relação à defesa antimísseis pareceu refletir o clima de cautela no Kremlin em meio à incerteza quanto à ratificação pelo Senado americano do tratado de limitação de armas estratégicas firmado por Medvedev com Obama em abril. O tratado é o elemento fundamental da busca por relações melhores entre os dois países.

A Rússia já avisou que, se um sistema americano de defesa antimísseis tornar-se uma ameaça à segurança russa, o país poderá retirar-se do tratado.

(Reportagem adicional de Alexei Anishchuk, Tom Grove e Amie Ferris-Rotman)

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