Presidente russo anuncia retirada de tropas da Geórgia

França e Rússia definem cessar-fogo, não acordo de paz, para conflito sobre províncias separatistas pró-Moscou

Agências internacionais,

12 de agosto de 2008 | 11h49

Os presidentes da Rússia, Dmitry Medvedev, e da França, Nicolas Sarkozy, endossaram o plano que prevê o retorno das tropas russas e georgianas para suas posições iniciais antes do começo dos conflitos na Geórgia, mas manterá as forças de paz de Moscou na Ossétia do Sul e na Abkházia, como antes da guerra. A proposta ainda prevê a discussão internacional do futuro status das duas províncias separatistas da ex-repúblicas soviéticas, que desejam deixar a Geórgia e integrar o território russo.  Veja também:Geórgia processará Rússia em Haia por limpeza étnicaPolônia cede site à Geórgia após bloqueio russo Geórgia deixa aliança de ex-repúblicas soviéticasRefugiados chegam a 100 mil, diz ONUOuça o relato de Lourival Sant'Anna  Roberto Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Imagens feitas direto da capital da Geórgia  Entenda o conflito separatista na Geórgia  Em uma entrevista coletiva conjunta, Medvedev e Sarkozy anunciaram o plano de seis pontos para solucionar a crise na região. O acordo exige a renúncia ao uso da força; o fim de todas as ações militares; o retorno das forças armadas da Geórgia em suas posições habituais. Além disso, as tropas russas voltarão para o limite imposto antes do conflito e será iniciado um debate na comunidade internacional para decidir sobre as intenções da Ossétia do Sul e da Abkházia. Sarkozy, que ocupa a Presidência rotativa da União Européia, disse que a Rússia e a Geórgia estão convencidas de um cessar-fogo, mas não chegaram a um acordo de paz. "Temos uma trégua provisória das hostilidades, mas isso é um progresso significativo". Mais cedo, ao receber Sarkozy em Moscou, Medvedev disse ao líder francês que a Geórgia deveria retirar suas tropas da Ossétia do Sul e da Abkházia e prometer não voltar a recorrer ao uso da força para que o conflito tenha uma solução definitiva. Sarkozy, por sua vez, disse considerar "perfeitamente normal" que Moscou defenda cidadãos russos além de suas fronteiras, mas observou que a integridade territorial da Geórgia "deve ser respeitada". Pouco antes, em Tbilisi, o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, anunciou que seu governo declarará as duas províncias separatistas "territórios ocupados". "Se o lado georgiano estiver realmente pronto para assinar (o acordo), mandar suas tropas de volta a suas posições originais e fazer o que estes princípios estipulam, então o caminho para a normalização gradual da situação na Ossétia do Sul estará aberto", disse Medvedev. "Agora, tudo depende da Geórgia."  A Geórgia retirou suas forças da Garganta de Kodor, na Abkházia, depois que forças separatistas avançaram na região, segundo afirmou o Ministério do Interior. "Removemos tudo o que estava lá, policiais e civis", disse o porta-voz Shota Utiashvili à Reuters. Mais cedo, o  Otan O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jaap de Hoop Scheffer, disse nesta terça-feira, 12, que o anúncio de que a Rússia encerraria as operações militares na Geórgia é um passo importante, mas não suficiente. Scheffer afirmou ainda que as tropas russas e georgianas devem voltar às posições iniciais antes do início dos confrontos. Após uma reunião do Conselho do Atlântico Norte - o principal órgão de decisão da Otan - e outra com a delegação georgiana, para analisar a situação em torno da Ossétia do Sul -, Scheffer disse confiar que a Rússia interromperá, como anunciou, os ataques em território georgiano, e declarou que a Geórgia é "um amigo e um parceiro muito respeitado da Otan", já que o país está em busca de uma vaga na aliança. A Otan informou que a promessa de que a Geórgia um dia fará parte da aliança, feita em uma cúpula em abril, ainda está de pé, apesar da disputa com a Rússia pela região separatista da Ossétia do Sul. "Acho que o comunicado de Bucareste continua válido. Os aliados disseram em Bucareste que um dia a Geórgia vai se juntar à Otan", disse Scheffer em uma coletiva. A Geórgia fez vários pedidos de ajuda à Otan e os aliados concordaram em considerá-los com urgência, disse ele, reafirmando que o uso da força por Moscou foi maciço e desproporcional. Mas acrescentou: "A Otan não quer ter um papel direto ou militar neste conflito". A Rússia de opõe fortemente à entrada da Geórgia na Otan, o que levaria a aliança militar ocidental para sua fronteira. Muitos analistas acreditam que esta foi uma das razões principais por trás das lutas que irromperam neste mês.  EUA   O anúncio de que a Rússia estava encerrando suas operações militares na Geórgia é "extremamente positivo", segundo disse nesta terça-feira o enviado de Washington à região, Matthew Bryza.  "Isto marca um retorno do bom senso e da preocupação humanitária genuína", disse Bryza, vice-assistente de Secretário do Estado, em uma coletiva. Referindo-se aos relatos georgianos de que os bombardeios russos não terminaram, Bryza afirmou que, aparentemente, alguns elementos do Exército russo querem continuar ações limitadas contra a Geórgia.  Ainda nesta terça-feira, o Departamento de Estado americano emitiu um novo alerta recomendando que todos os americanos saiam da Geórgia. Na nota, que substitui a emitida na última sexta-feira, as autoridades americanas indicam que, apesar das declarações da Rússia, continuam as operações contra alvos civis e militares. "Pedimos que os cidadãos americanos que permanecem na Geórgia, apesar deste e de outros alertas anteriores, que avaliem sua situação de segurança pessoal, tomem medidas adequadas para sua segurança e avaliem ir para um local seguro", recomendou o governo. Segundo números da agência, mais de 170 americanos saíram da Geórgia durante o fim de semana passado, em duas retiradas organizadas entre domingo e segunda-feira. A Embaixada dos Estados Unidos em Tbilisi, capital da Geórgia, permanece aberta para serviços de emergência.  Matéria atualizada às 15h15. 

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