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Presidente russo diz que acordo do gás com Europa não é válido

Dmitry Medvedev afirma que é preciso esclarecer contradições para implementar o acordo

REUTERS

11 de janeiro de 2009 | 17h44

O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, declarou neste domingo que um acordo sobre supervisão internacional do fluxo de gás pela Ucrânia não pode ser implementado até que as contradições no documento sejam esclarecidas.   Ele deu as declarações durante uma discussão com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov. A reunião entre os dois foi exibida pela televisão estatal. Veja também:Ucrânia assina acordo sobre controle de trânsito de gásRússia e UE assinam acordo sobre gás; falta UcrâniaGaleria de fotos dos países afetados   "Eu penso que aqueles que assinaram esse documento com reservas entendem muito bem as consequências legais dos seus atos", disse Medvedev a Lavrov. Somos forçados a considerar o documento inválido, e ele não será implementado por nós até que esses pontos sejam removidos ou revogados pelo lado ucraciano." A Ucrânia assinou o acordo no início deste domingo, mas uma nota escrita à mão no documento pede que uma declaração seja anexada. Cláusulas dessa declaração vão de encontro às posições russas.  Mais cedo neste domingo, a Comissão Europeia, braço executivo do bloco europeu, disse que "não existiam razões" para mais atrasos na retomada do fornecimento do gás russo, contradizendo um comunicado da estatal russa de gás, a OAO Gazprom. A Gazprom informou que ainda não havia recebido uma cópia do acordo fechado entre União Europeia, Rússia e Ucrânia, para o envio de monitores europeus à Ucrânia. A Gazprom também acusou a Ucrânia, na manhã deste domingo, de não enviar a Moscou uma cópia do acordo de monitoração dos gasodutos.A Comissão disse mais cedo que todas as partes haviam recebido cópias do acordo.A Rússia cortou o fornecimento de gás natural para a União Europeia, via Ucrânia, na quarta-feira da semana passada.   O problema No último dia 7, a empresa russa Gazprom suspendeu totalmente a distribuição de gás natural aos consumidores europeus pelo sistema de gasodutos da Ucrânia, após denunciar que o produto estava sendo desviado em território ucraniano, por onde passa cerca de 80% das exportações de gás russas para a Europa. A suspensão do bombeamento, que afetou gravemente vários países do Leste Europeu e da Europa Central, aconteceu depois que, no dia 1º, a Gazprom cortou os envios diretos para a Ucrânia devido à falta de acordo sobre as tarifas de transporte para este ano. As autoridades ucranianas, porém, rejeitaram de maneira categórica as acusações de Moscou sobre o suposto furto de gás. "Declarações deste tipo não fortalecem a amizade nem a confiança mútua, e desprestigiam não só a Ucrânia, mas também a Rússia", declarou à época o presidente ucraniano, que criticou as declarações dos russos. Segundo o governo ucraniano, o mandato da missão de observadores internacionais, que inclui observadores russos em instalações ucranianas e especialistas ucranianos nas estações russas, não deverá passar de um mês. "Achamos que a comissão de monitores deve trabalhar no máximo por um mês", disse Timoshenko. Por sua vez, a primeira-ministra disse que ainda há esperanças para um acordo com a Rússia sobre o aumento "proporcional e por períodos" das tarifas para a passagem do gás russo pela Ucrânia.  Em outubro do ano passado, Moscou e Kiev assinaram um memorando no qual referendaram sua intenção de, em três anos, praticarem preços de mercado tanto na comercialização do gás russo como em seu transporte pelo território ucraniano. As negociações sobre o fornecimento do gás russo à Ucrânia, que nos últimos três dias aconteceram em Moscou com a presença do presidente da estatal ucraniana Naftogaz, Oleg Dubina, terminaram sem resultados. "Foi proposto à Ucrânia que pagasse US$ 450 por cada mil metros cúbicos de gás, preço que praticamente não existe na Europa", disse Dubina ontem, quando voltava da capital russa. O presidente da Naftogaz declarou que, a partir de agora, "as negociações terão que continuar em um outro nível", provavelmente entre os chefes de Governo ou de Estado dos dois países.  Logo após a explosão do conflito, a Gazprom elevou de US$ 250 para US$ 418 a tarifa cobrada da Naftogaz pelo gás russo. Após o corte no fornecimento para a Europa, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, destacou que os contratos com a Ucrânia devem ser assinados com "preços de mercado, de nível europeu", sem benefícios nem descontos.(Por Christian Lowe, da Reuters, com  informações são da Dow Jones, por André Lachini)

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