Presidente russo eleito pressiona Otan contra expansão

Medvedev afirma que adesão da Geórgia e da Ucrânia, ex-repúblicas soviéticas, afeta a segurança européia

CHRISTIAN LOWE, REUTERS

25 de março de 2008 | 11h32

O presidente eleito da Rússia, Dmitry Medvedev, manteve nesta terça-feira, 25, a pressão contra a adesão de Geórgia e Ucrânia à Otan, alegando que isso afetaria a segurança européia.  Líderes da Otan se reúnem de 2 a 4 de abril em Bucareste e devem discutir o pedido de pré-adesão das duas ex-repúblicas soviéticas, hoje governadas por políticos pró-ocidentes. "Não estamos contentes com a situação a respeito da Geórgia e da Ucrânia", disse Medvedev em entrevista ao Financial Times. "Consideramos isso extremamente perturbador para a atual estrutura da segurança européia. Nenhum Estado pode ficar satisfeito em ter representantes de um bloco militar ao qual não pertence chegando perto de suas fronteiras." Ucrânia e Geórgia querem aderir ao Plano de Ação para a Adesão (MAP, na sigla em inglês), que é a primeira etapa para a adesão plena à aliança militar ocidental. Os EUA apóiam a idéia, ao contrário de alguns países europeus. O atual presidente russo, Vladimir Putin, também contrário à expansão da Otan, aceitou um convite para participar da cúpula. Há seis anos um líder do Kremlin não vai a esse tipo de reunião. Mas analistas russos dizem que Putin deve cancelar a viagem se sentir que a cúpula servirá para elevar Geórgia e Ucrânia ao MAP. Em Bruxelas, um porta-voz disse que a Otan está ciente das preocupações russas e disposta a discuti-las. "A posição da Otan é bastante clara: Estados democráticos na Europa têm o direito a aspirar e trabalhar pela adesão à Otan. É uma escolha deles, não da Otan", afirmou o porta-voz James Appathurai. "A porta da Otan está aberta a eles, e essas duas democracias indicaram seu desejo de se aproximar da Otan", acrescentou. O presidente dos EUA, George W. Bush, recebeu o presidente da Geórgia na semana passada e vai à Ucrânia antes da cúpula.

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