Presidente russo tenta apaziguar manifestantes

O presidente russo, Dmitry Medvedev, pediu nesta quinta-feira uma reforma abrangente do sistema político da Rússia, numa tentativa de apaziguar os manifestantes que promoveram os maiores protestos no país desde que Vladimir Putin, atual primeiro-ministro, ascendeu ao poder 12 anos atrás.

REUTERS

22 de dezembro de 2011 | 16h40

No pronunciamento a ambas as Casas do Parlamento sobre o estado da nação, Medvedev disse querer restabelecer as eleições para governadores, atualmente indicados pelo governo central, que procura manter um forte controle sobre as regiões do país.

Preparando-se para novos protestos na Rússia no sábado, os opositores do presidente repudiaram a proposta. Segundo eles, são promessas vazias de um presidente que está prestes a deixar o cargo para que Putin volte ao principal posto do poder no ano que vem, após permanecer quatro anos como premiê.

"Hoje, em apoio à iniciativa de nosso primeiro-ministro Vladimir Vladimirovich Putin, proponho uma reforma abrangente de nosso sistema político", disse Medvedev.

"Quero dizer que ouvi aqueles que falam sobre a necessidade de mudança e os compreendo. Nós precisamos dar a todos os cidadãos ativos a oportunidade legal de participar da vida política", acrescentou.

A iniciativa é uma tentativa de conter a pressão por mudança por parte de dezenas de milhares de manifestantes que vêm saindo às ruas desde a eleição de 4 de dezembro, que eles dizem ter sido fraudada, mas Medvedev ignorou a principal exigência deles: a realização de uma nova eleição.

Um assessor do Kremlin disse que as propostas serão enviadas ao Parlamento nos próximos dias. O projeto ressalta que os líderes da Rússia agora percebem que os ânimos mudaram no país e que algo tem de ser feito para satisfazer os manifestantes.

A oposição, entretanto, rejeitou as iniciativas, dizendo que elas são palavras vazias de um homem que não cumpriu suas promessas depois que foi levado à Presidência por Putin em 2008, quando a Constituição proibia Putin de buscar um terceiro mandato consecutivo.

"É uma resposta aos protestos, mas não é o bastante. É frouxo", disse Vladimir Ryzhkov, que participou de um grande comício na Praça Bolotnaya, de Moscou, em 10 de dezembro e está ajudando a programar outro comício no sábado na Avenida Sakharov, na capital.

"A principal demanda na Bolotnaya era anular os resultados da eleição e convocar novas eleições a serem conduzidas de acordo com regras novas. Em vez disso, ele está tentando preservar a Duma (Assembleia) ilegítima. Isso não será aceito pela sociedade e não será aceito por aqueles que estiverem na Avenida Sakharov."

NOVO CHEFE DE GABINETE NO KREMLIN

Pouco depois do discurso de Medvedev, o Kremlin anunciou a indicação do vice-primeiro-ministro Sergei Ivanov com chefe da equipe presidencial, entregando um dos cargos mais poderosos da Rússia a um aliado de longa data de Putin.

A decisão pode sinalizar que Putin não vê mais nenhum lugar em sua equipe para o chefe de gabinete interino do Kremlin, Vladislav Surkov, com frequência considerado a eminência parda da política russa. É improvável, porém, que isso indique uma grande mudança no modo de pensar de Putin.

"A equipe de Putin não permitirá nenhuma reforma, porque agora eles querem que ele alcance os 60 por cento (na eleição presidencial de março), o que é impossível usando mecanismos justos", disse o líder do Partido Comunista, Gennady Zyuganov.

Putin afirmou na semana passada que estava pronto para considerar a possibilidade de permitir a eleição dos governadores regionais, desde que a candidatura fosse aprovada pelo Kremlin. O ex-espião da KGB aboliu a eleição direta para governadores em 2004 a fim de apertar o controle sobre as regiões da Rússia.

No discurso, Medvedev defendeu a simplificação do processo de registro de partidos, para permitir a formação de novas legendas, e propôs a criação de uma TV pública que seja independente do Estado, entre outras medidas.

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