Presidente sérvio dissolve Parlamento e convoca eleições

Pleito eleitoral acontecerá em 11 de maio, junto com as eleições municipais

Efe,

13 de março de 2008 | 06h27

O presidente sérvio, Boris Tadic, dissolveu nesta quinta-feira, 13, o Parlamento e convocou para 11 de maio as eleições parlamentares antecipadas da Sérvia. A crise no Governo se agravou nos últimos dias devido à falta de acordo sobre a política do país em relação à União Européia (UE), depois que o Kosovo se autoproclamou independente em 17 de fevereiro e teve sua soberania reconhecida por Alemanha, França, Reino Unido e Estados Unidos. "As eleições são uma via democrática para que os cidadãos se pronunciem sobre como a Sérvia deve se desenvolver nos próximos anos", disse Tadic em comunicado emitido pelo escritório de imprensa presidencial. "Esta é uma nova oportunidade para reforçar nossa capacidade de defender a soberania e a integridade territorial do país, para reforçar nossa perspectiva econômica através do processo das integrações européias, para confirmar a capacidade democrática da sociedade e mudar as coisas para melhor", acrescentou. O presidente pediu "uma campanha justa e correta, que transcorra em um ambiente de calma e democracia". As eleições parlamentares na Sérvia coincidirão com as municipais, convocadas há alguns meses. O Governo liderado pelo primeiro-ministro, Vojislav Kostunica, admitiu na segunda-feira passada que não consegue mais conduzir e estabelecer a política do país de uma maneira única e comum. Segundo Kostunica, a crise governamental se agravou porque os membros da coalizão já não tinham mais uma política única para o Kosovo. O primeiro-ministro reconheceu que as diferenças dentro da coalizão governamental surgiram em decorrência da discussão sobre se a Sérvia deveria entrar na UE "com ou sem o Kosovo". "Não houve vontade para dizer claramente se o país pode prosseguir rumo à UE somente com o Kosovo", destacou. A crise teve seu auge na semana passada, depois que o oposicionista e ultraconservador Partido Radical Sérvio (SRS) propôs ao Parlamento uma resolução na qual a Sérvia ficaria impedida de negociar sua entrada na UE se o bloco europeu não confirmasse a integridade territorial do país, com o Kosovo como parte integrante. Kostunica anunciou seu apoio à proposta, mas Tadic foi contra, por considerar que não tinha como objetivo defender a integridade da Sérvia, mas afastar o país de seu caminho rumo à Europa e levá-lo ao isolamento. O presidente sérvio insiste que apenas uma posição reforçada da Sérvia na UE pode aumentar as capacidades do país para defender sua integridade no Kosovo. Alguns analistas estimam que as eleições antecipadas poderiam se transformar em uma espécie de plebiscito sobre se a Sérvia quer ou não permanecer em seu caminho em direção à UE. Para a Sérvia, a independência do Kosovo é uma violação flagrante do direito internacional, e a região continua sendo sua província e parte inalienável de seu território.

Tudo o que sabemos sobre:
Sérvia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.