Presidente suíço pede calma sobre o caso da brasileira

Merz afirma que já houve exagero demais; advogado confirma que Paula será interrogada na próxima semana

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

19 de fevereiro de 2009 | 09h34

O presidente da Suíça, Hanz Rudolf Merz, pediu calma nesta quinta-feira, 19, em relação ao caso da brasileira Paula Oliveira, que foi indiciada por ter dado falso testemunho sobre um suposto ataque. "Não vamos mais exagerar. Existe um processo penal aberto e que trará a verdade", afirmou. Para Merz, o tema ganhou destaque de uma forma desproporcional. "Não há motivo para que isso afete a relação entre o Brasil e a Suíça. Esse é um caso menor e que caberá à Justiça dar uma resposta", completou. O advogado de Paula Oliveira, Roger Müller, afirmou que o interrogatório de sua cliente deverá acontecer apenas na semana que vem, garantindo que ela está preparada para o depoimento.   Veja também: Alemã foi condenada em novembro por simular ataque racista País dará apoio jurídico a Paula Oliveira, afirma Celso Amorim Paula mandou ultrassom falso aos amigos, diz revista Partido suíço quer processar brasileira por 'farsa' de ataque   Segundo a BBC, o advogado disse ainda que está discutindo duas a três estratégias para defendê-la, entre elas usar como atenuante o fato de ela sofrer de lúpus, uma doença inflamatória que, entre outros sintomas, poderia provocar distúrbios psicológicos. "Ainda não definimos nossas táticas, mas esta seria uma delas", afirmou Müller. Em relação à confissão que a publicação suíça Die Weltwoche afirmou que Paula teria feito à polícia, admitindo que ela não foi atacada por neonazistas nem estava grávida, o advogado disse não poder confirmar nada.   Em sua edição desta quinta-feira, a revista diz que Paula teria assinado uma confissão à polícia na última sexta-feira, mas não é citada a fonte desta informação. Na semana que vem Paula será ouvida pelo promotor público responsável por seu indiciamento, Marcel Frei.   A brasileira foi indiciada na última terça-feira "por suspeita de induzir as autoridades ao erro", segundo um comunicado da Promotoria Pública, e teve seu passaporte retido para garantir que ela permaneça na Suíça "o tempo que sua presença for necessária para o inquérito e todas as providências da investigação tiverem sido tomadas". Apesar de o código penal suíço prever uma pena de prisão de até três anos para casos como este, Müller descartou a possibilidade de Paula ser presa. "Esta não é uma possibilidade realista no caso da Paula, ela não vai ser presa", afirmou Müller, sem querer dar maiores explicações para "não antecipar a investigação".   De acordo com ele, apesar de já ter havido casos parecidos com o da brasileira, todos foram de "menor importância e gravidade leve", portanto não há como supor que o desfecho do processo de Paula seja igual ao de outros casos parecidos.   O jornal suíço Die Weltwoche revelou na quarta-feira que a pernambucana, que disse ter sido agredida por skinheads nos arredores de Zurique e abortado, já teria confessado à polícia local que o suposto ataque não passou de uma farsa e ela nunca esteve grávida. A rede de TV Telezurich reiterou a história. Ainda segundo a imprensa, ela teria assinado uma confissão. De acordo com o jornal, a polícia especula que o objetivo de Paula seria processar o Estado por causa da agressão para obter uma indenização que poderia chegar a R$ 200 mil. Paula teria tentado convencer a polícia de que fez testes de gravidez com material de supermercado e até um ultrassom, mas as fotos teriam sumido. O telefone da médica também teria desaparecido. Pressionada, Paula chorou e confessou que a gravidez e o ataque dos neonazistas eram uma armação. Sobre as letras do partido em seu corpo, ela disse que apenas conhecida o SVP dos cartazes espalhados pela Suíça. Questionada sobre os motivos, disse: "Pergunte a um psiquiatra." Segundo a imprensa, Paula teria afirmado que fez tudo sozinha, sem a ajuda de seu namorado, o suíço Marco Trepp.

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