Presidente ucraniano fechará Parlamento se não houver união

O motivo seria a ruptura entre os partidos do bloco presidencial e o da primeira-ministra na Casa

EFE,

04 de outubro de 2008 | 19h56

O presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, anunciou hoje que na terça-feira,7, iniciará as consultas sobre a dissolução da Rada Suprema (Parlamento) se os partidos do Legislativo não formarem uma nova coalizão governista. "Em 7 de outubro, realizarei as consultas. Trata-se de uma formalidade após a qual o presidente obtém o direito de dissolver o Parlamento", disse Yushchenko à imprensa, segundo a agência "Unian". Yushchenko afirmou que já tem direito a dissolver o Parlamento, pois ontem fez um mês que desde que o bloco presidencial Nossa Ucrânia-Autodefesa Popular (NU-AP) rompeu a coalizão anterior com a bancada de Yulia Timoshenko (BYuT), a primeira-ministra. No entanto, esta ruptura só foi anunciada oficialmente em 16 de setembro. "Até 7 de outubro, dou oportunidade para todos (...) realizarem negociações como políticos responsáveis e proporem à sociedade e ao Estado uma saída para esta armadilha", disse sobre a crise atual. A legislação ucraniana permite que o chefe de Estado dissolva o Legislativo caso os partidos com representação parlamentar não consigam formar, no prazo de 30 dias, uma coalizão governista. A ruptura da coalizão anterior aconteceu em meio às crescentes tensões entre Yushchenko e Timoshenko, que, embora sejam aliados formalmente, são adversários nas próximas eleições presidenciais. Embora Timoshenko se mostre disposta a fazer o possível para restabelecer a coalizão, a equipe presidencial acusa seu bloco de negociar em segredo uma aliança com os opositores e pró-russos Partido das Regiões, do ex-primeiro-ministro Viktor Yanukovich, e com o Partido Comunista. O presidente exigiu que o BYuT cumpra em dois dias os acordos verbais para restabelecer a coalizão com o NU-AP, ou que formalize e anuncie oficialmente seus pactos com o Partido das Regiões e com os comunistas. Yushchenko garantiu que aceitará "qualquer formato da coalizão" criado e que apresentará para a aprovação do Parlamento o candidato a primeiro-ministro que lhe for apresentado. Por outro lado, o presidente se mostrou convencido de que eleições parlamentares extraordinárias "não trarão grandes mudanças" para a situação política no país. "É evidente que é preciso buscar entendimento a respeito das prioridades nacionais, para as quais se forma a coalizão, em vez de protagonizar uma novela mexicana e realizar eleições antecipadas a cada 12 meses", ressaltou. A Ucrânia realizou há um ano pleitos legislativos antecipados, depois que uma longa crise institucional obrigou Yushchenko a dissolver o Parlamento escolhido para um mandato de cinco anos em março de 2006. Segundo todas as pesquisas, o partido de Yushchenko seria um dos grandes perdedores caso houvesse novas eleições, já que nas últimas o mesmo obteve menos votos do que as forças de sua aliada formal, Timoshenko, e de seu adversário político oficial, Yanukovich. 

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