Kevin Coombs/ Reuters
Kevin Coombs/ Reuters

Premiê britânica radicaliza discurso após vantagem para opositor cair para 1 ponto

Theresa May defende intolerância contra extremismo e diz que é preciso combater ideologia radical islâmica aumentando vigilância

O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2017 | 06h43
Atualizado 04 de junho de 2017 | 21h13

LONDRES - A primeira-ministra britânica, Theresa May, está em uma situação cada vez mais difícil. Neste domingo, 4, pesquisa do instituto Survation colocou seu Partido Conservador apenas 1 ponto porcentual à frente dos trabalhistas (40% a 39%). Pressionada, ela defendeu a intolerância com o extremismo. “É hora de dizer: basta!”, afirmou May em discurso diante da residência oficial, em Downing Street.

Segundo May, é preciso acabar com o extremismo islâmico, que tem servido de inspiração para “ataques cruéis”, como o ocorrido na noite de sábado em Londres. Ela ressaltou também que as eleições legislativas de quinta-feira estão mantidas. “É hora de dizer que isso chegou ao limite. Todos devem viver suas vidas como normalmente fariam. Nossa sociedade deve continuar a funcionar de acordo com os nossos valores. Mas, quando nos referimos à luta contra o extremismo, as coisas precisam mudar”, disse.

A premiê considera que “há muita tolerância ao extremismo no Reino Unido”, uma ameaça que “não pode ser contida apenas pela via militar”. “O terrorismo alimenta o terrorismo e os autores passam ao ato não com base em complôs, mas porque copiam uns aos outros utilizando os meios mais ordinários”, disse May.

 

Ela ressaltou que a resposta aos ataques deve ir além das operações antiterroristas e pensada para evitar a propagação das ideias que movem os extremistas. “Vencer a ideologia islamita é um dos grandes desafios do nosso tempo.” 

Os ataques de sábado podem ter afetado os ventos da política britânica, que há algumas semanas já não sopram mais em favor de May. A quatro dias da eleição, várias pesquisas mostram que o Partido Trabalhista, do opositor Jeremy Corbyn, alcançou os conservadores, colocando em dúvida a aposta de May de que uma eleição rápida ampliaria sua maioria no Parlamento.

Neste domingo, Corbyn concordou com a primeira-ministra sobre manter as eleições e disse que a votação deve ocorrer sem atrasos para mostrar que a democracia não será afetada pelos ataques. “Devemos resistir à islamofobia, à divisão e sairmos unidos em nossa determinação de mostrar que nossa democracia é forte”, disse o trabalhista.

Corbyn criticou May por ter reduzido o efetivo policial durante o tempo em que foi ministra do Interior e repetiu seu compromisso de recrutar 10 mil novos policiais, incluindo oficiais armados. Além disso, ele afirmou que o Reino Unido precisa ter “conversas difíceis” com a Arábia Saudita e outros países do Golfo sobre o financiamento ao extremismo islâmico.

Os partidos britânicos suspenderam neste domingo as campanhas em razão do atentado de sábado. O líder do partido nacionalista Ukip, Paul Nuttall, foi o único que não parou. Segundo ele, “é exatamente isto o que os extremistas querem que façamos”. / AFP e REUTERS

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